Dois de Julho

 DIA DOIS DE JULHO - uma coleção de estudos para mintar um fanzine, como é longa leitura, vou enumerar o que me chamou atenção: __1) começo por estudar Manoel Quirino, __2) entender o termo “tutu” em sentido de amor próprio para o negro brasileiro, depois __3) alguns estudos genéricos sobre o Corneteiro “trapalhão” Luís Lopes, sobre a negra capoeirista Maria Felipa (marisqueira), e sobre Maria Quitéria vestida de soldado, e a poesia de Castro Alves sobre o 2 de Julho, enfim __4) tentei buscar nomes negros e caboclos dentro e fora do romantismo nacional, num estudo sobre LIVROS DIDÁTICOS escolares, o grosso fala dos bigodes grossos, dos mercenários de Lord Cochrane, e no fim coloquei um estudo sobre o papel do tribunal da Relação, a classe dos desembargadores, no auxílio aos portugueses e a tentativa de recolonização do Brasil. 

PESQUISA





MANUEL QUERINO NARRATIVA E IDENTIDADE DE UM INTELECTUAL AFRO-BAIANO NO PÓS-ABOLIÇÃO
MARIA DAS GRAÇAS DE ANDRADE LEAL*
… Ao narrar "A Noite Primeira de. Julho" em especial, a festa do 2 de Julho se constitui em argumento para Querino desabafar diante da 
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ARAÚJO, DO. O tutu da Bahia: transição conservadora e formação da nação, 1838-1850. Salvador: EDUFBA, 2009, 376 p. ISBN 978-85-232-0876-9. Available from SciELO Books <http://books.scielo.org>.

 Capítulo TRÊS
O Tutu ainda ronda a cidade da Bahia Boatos, inquietações e medo na Bahia pós-rebelde

“[...] o pai, o filho, o esposo, dormiam o sono da inocência – e o anjo das ruínas iracundo, frenético, girava por sobre os
tetos da tranquila cidade. Guaycuru, 17 de dezembro de 1845.

o temor decorrente da possibilidade de ocorrerem rebeliões de escravos e de livres, assim como as medidas adotadas para evitá-las, foram características importantes da última fase do período, ou seja, os anos que se estendem de 1843 a 1850. Para evidenciar a natureza desse processo, faz-se necessário acompanhar os debates e denúncias da imprensa, o conteúdo dos documentos policiais e judiciais, assim como dos relatos de viajantes, a exemplo de um que esteve na Bahia, e que ouvira, ainda nos anos de 1842 e 1843, relatos espantosos da rebelião que se passara:
na Bahia, o grito dos revoltosos era: “Morram os portugueses!”. todos os brancos eram assassinados nas ruas e as suas casas assaltadas. só os que conseguiram fugir da cidade escaparam à fúria dos negros livres e dos mulatos. [...] horríveis atrocidades foram cometidas durante os cinco meses que durou o governo revolucionário. os negros atacavam a sangue frio e sem piedade todos os portugueses. se a vítima ficava apenas ferida, pobre de quem tentasse socorrê-la!265
a imagem colhida pelo viajante tinha um seu sentido social e político. servia à reiteração do medo, pois os atores que teriam provocado todo o terror constante do relato ainda estavam vivos e poderiam provocar ocorrências como a rebelião de africanos. servia para reiterar o medo de que o “tutu” pudesse reaparecer e destruir a sociedade por inteiro.266 tutu

Câmara Cascudo nos informa que “o tutu é um animal informe e negro que aparece nas cantigas de embalar. Sabe-se apenas que, à sua simples menção, as crianças fecham os olhos e procuram adormecer sob o império do medo”. Diz ainda que “é uma corruptela da palavra quitutu, do idioma quimbundo ou angolês, significando “papão”, “ogre”. Correlatamente decorrem os sinônimos de “temível”, “poderoso”, “assustador”. Ver: CASCUDO, Luis da Câmara. Geografia dos mitos brasileiros. 2. ed. São Paulo: Global, 2002. p. 197.

era algo que incutia medo. segundo o Correio Mercantil, “a insurreição era uma tutu para meter medo aos legalistas”.267 era algo como o bicho- papão para amedrontar as crianças. rondava a sociedade para aterrorizá- la. os periódicos da imprensa radical podiam ser considerados tutus, como mencionou o jornal antes referido, que noticiou o aparecimento de dois jornais oposicionistas em 1838, chamando-os de “dois tutus da Bahia”, sem, no entanto, mencionar os seus nomes.268 alguns anos depois, o Guaycuru, polemizando com o redator do Comércio, mencionara, uma vez mais, o tutu, nos termos que seguem:
[...] réu de querer para o Brasil, em vez dessa angélica monarquia que temos, um regime matazana, uma república papa-gente, uma democracia tutu, um pandemônio de baraços e forcas e guilhotinas e alfanges e incêndios e sacrilégios e todos os horrores do inferno [...].269
Pelo que transparece das menções feitas na imprensa, o tutu aparecia como algo aterrorizador da sociedade, como fez o Correio Mercantil em 1839, que o associou à “sanguinolenta revolta militar (dos periquitos) e assassinato de Felisberto caldeira Gomes”, o comandante das armas da Bahia, em 1824; “às repúblicas do negro armeiro Bom caminho”, que fora processado em 1829 por participação em uma conspiração revolucionária; assim como a “proclamação da república de 7 de novembro” e “os incêndios da capital”. entre esses exemplos, extraídos de uma lista de 23, o texto finaliza com a ideia de que o tutu era o “presságio funesto de desordem e muito grande”, indicando o seu significado naquela conjuntura.270
a nova fase de inquietações políticas na Bahia teve início a partir da influência de fatos oriundos de outras províncias, 

a rebelião ocorrida em Minas Gerais no ano de 1842. não que tenha havido uma real articulação com a finalidade de promover uma rebelião, mas houve repercussões que, provavelmente, encontraram uma província ainda sem uma liderança rebelde suficientemente constituída. o Governo provincial inquietou-se com a presença, em caetité, sudoeste da Bahia, de um padre que teria sido processado pela sua participação na rebelião de Minas Gerais no ano anterior.
em abril de 1843, o Ministro da Justiça, ciente do deslocamento do padre amador Felício Gueiro para aquela vila, onde estaria “promovendo desordens”, informava que esse padre havia sido processado e pronunciado em diamantina, Minas Gerais, por crime de rebelião, e que o governo da Bahia deveria adotar “todas as providências ao seu alcance para obstar que na dita vila seja alterada a tranquilidade pública”. alertava que Felício Gueiro estaria exercendo o ofício de cura, mediante o qual “prega na estação da missa e no púlpito doutrinas subversivas da ordem, encorajando e agitando o povo a nova rebelião”, e acrescentava que havia inteligência com os oposicionistas de Minas Gerais, a partir da qual se estava preparando uma nova rebelião para o mês de maio.271
outra correspondência informava da presença de rebeldes de Minas Gerais na vila de caetité e pedia providências para que não fosse alterada a “pública tranquilidade”.272 o Presidente da Província, mediante ofício, pedia que fosse expedida carta precatória pela Justiça de Minas Gerais, para que se fizesse a prisão do padre Felício Gueiro, visto ser perniciosa a sua presença naquela vila, por ser a única desta Província, que parece ter simpatizado com as rebeliões de são Paulo e Minas”.273 

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Manuel Raymundo Querino 

Era o começo da grande luta da liberdade contra a servidão opressora”. Assim escreveu Manuel Querino em um ensaio intitulado "Notícia histórica sobre o 2 de julho de 1823 e sua comemoração na Bahia", que foi publicado postumamente em 1923, no âmbito das celebrações pelo Centenário da Independência.

Cem anos depois, o seu ensaio sobre o 2 de Julho é retomado como um dos pontos de partida da exposição “Aos pés do caboclo, luta”, que acontece no foyer do Centro de Cultura Vereador Manuel Querino, da Cãmara Municipal de Salvador, com o apoio do mandato da vereadora Maria Marighella (PT), até o dia 27 de julho. A mostra gratuita pode ser visitada de segunda a quinta-feira, das 9h às 16h. Às sextas, o espaço encerra as atividades às 14h. 

A curadoria da mostra é de Joyce Delfim e Nathan Gomes e participação de artistas e coletivos como Aislane Nobre, Articulação dos Movimentos e Comunidades do Centro Antigo de Salvador, Artur Soares, Daniel Soto, Eduarda Gama, Felipe Rezende, Glicéria Tupinambá, Isabela Seifarth, Jack Salvador, Julia Imbroisi, Leila Danziger, Lucas Feres e Lucas Lago, Mário Vasconcelos, Milena Ferreira, Raiz Rozados e Zé do Rocha. A exposição reúne trabalhos que abordam o passado de lutas que marca o imaginário do Dois de Julho, ao mesmo tempo em que discutem as lutas sociais no presente.

Serviço:
Exposição coletiva “Aos pés do Caboclo, luta”
Curadoria: Joyce Delfim e Nathan Gomes
Centro de Cultura Vereador Manuel Querino da Câmara Municipal de Salvador
Praça Thomé de Souza, s/n, Centro Histórico – Salvador/BA
Visitação: Até 27 de julho de 2022
Horário: Segunda a quinta-feira: 9h às 16h

Sexta-feira: 9h às 14h 
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Manuel Raymundo Querino nasceu no município de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, em 28 de julho de 1851, filho de Luzia da Rocha Pita e do carpinteiro José Joaquim dos Santos Querino. Em 1855, uma epidemia de cólera assolou a região e provocou a morte de seus pais. A criança foi então acolhida em Salvador aos quatro anos, ficando aos cuidados de uma amiga da família. Manuel Querino teve como tutor e mestre de primeiras letras o bacharel e professor Manuel Correia Garcia. Aos 17 anos, com o Brasil em guerra contra o Paraguai, e tendo apenas o curso primário, alista-se como recruta. Em 1868, viaja pelos sertões de Pernambuco e do Piauí, agregado a um contingente que se destinava ao Paraguai. Mas devido a problemas de saúde, não é enviado ao front e permanece no Rio de Janeiro, onde trabalha na “escrita do batalhão”. Em 1870, é promovido a Cabo de Esquadra, mas dá baixa nas forças armadas e retorna a Salvador.

Trabalha inicialmente como pintor e decorador enquanto estuda Humanidades no Colégio 25 de Março e no Liceu de Artes e Ofícios, do qual termina sendo um dos fundadores. Com sua forte inclinação para o Desenho Geométrico, matricula-se na Escola de Belas Artes e obtém o diploma de desenhista em 1882, sendo em seguida aprovado para o curso de Arquitetura, no qual se destaca recebendo medalhas e distinções. Mais tarde, torna-se Lente de Desenho Geométrico do Liceu de Artes e Ofícios e do Colégio dos Órfãos de São Joaquim e publica em 1903 o manual Desenho linear das classes elementares.

No campo político, tem atuação de destaque ao se engajar na luta pelo fim da escravidão e do império. Integra a “Sociedade Libertadora 7 de Setembro” e assina em 1870 o “Manifesto Republicano”. Está entre os fundadores dos periódicos A Província e O Trabalho, nos quais escreve artigos combativos em favor da Abolição e da República. Participou também do semanário Liga Operária Baiana, resultado da mobilização de trabalhadores urbanos e publicou diversos artigos na Gazeta da Tarde, sendo considerado por Bradford Burno (apudOliveira, 1998) o “primeiro historiador negro do Brasil”. Em 1890, adere ao recém-fundado Partido Operário e, antes de abdicar da carreira política, integra o Conselho Municipal de Salvador (atual Câmara Municipal).

Ao pesquisar e divulgar a contribuição dos povos africanos no Brasil, Manuel Querino demonstra a seus iguais a sua importância na construção do país e ao mesmo tempo alerta os descendentes brancos sobre a dívida histórica que possuíam. Querino foi um dos primeiros brasileiros a apresentar uma visão histórica do Brasil que leva em conta as contribuições dos africanos, fazendo-lhes justiça.

Sua obra se divide em duas fases: a primeira, entre 1903 e 1916, versa sobre os artistas e as artes no Brasil, dando a devida importância para trabalhadores - em sua maioria negros - constantemente desprezados pelo avanço das técnicas e dos monopólios. É uma fase que compreende crônicas, ensaios e artigos. Merece destaque o estudo “Os Artistas Baianos”, artigo de 62 páginas publicado na revista do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, em 1906. A que se seguem As artes na Bahia, de 1909, Artistas baianos: indicações biográficas, de 1911, e “Bailes Pastoris”, de 1914, entre outros.

Na segunda fase, que vai 1916 a 1922, Querino se dedica ao estudo dos costumes oriundos da presença afro-diaspórica na Bahia. E se debruça sobre as práticas culturais recuperadas pela pesquisa de fontes primárias presentes da memória coletiva e inscritas na oralidade. Em 1916, teve participação de destaque no 5º Congresso Brasileiro de Geografia, no qual apresentou seu estudo “A raça africana e os seus costumes na Bahia”, publicado nos anais do evento e posteriormente incluído no volume A raça africana, edição póstuma de 1955. Ainda em 1916, publica A Bahia de outroravultos e fatos populares (reeditado em 1922 e 1946), no qual reúne escritos anteriores acrescidos de novos textos. Em 1918, vem a público O colono preto como fator da civilização brasileira, obra extremamente significativa no processo de dignificação do contingente negro brasileiro. Publica também uma série de artigos e crônicas, como “Homens de cor preta na história”.

Manuel Querino faleceu em 14 de fevereiro de 1923.  Seu trabalho de resgate da contribuição cultural da diáspora africana na Bahia é pioneiro e se contrapõe aos discursos oriundos da colonização, com toda carga de preconceitos que ainda carregam. E ressurge na contemporaneidade movido pela atualidade histórica de suas reflexões sobre essa porção ainda marginalizada na sociedade.

Fontes:

OLIVEIRA, Eduardo (Org.). Quem é quem na negritude brasileira. 3.ed. São Paulo: Congresso Nacional Afro-brasileiro; Brasília: Ministério da Justiça, 1998, v. 1.

PINTO DE AGUIAR, Manuel Querino e sua obra. In: QUERINO, Manuel. A raça africana e seus costumes. Salvador: Livraria Progresso Editora, 1955, p. 5-11.

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Parte I - Índios e caboclos na formação da nação brasileira
Triunfo dos caboclos Ordep Serra

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https://books.scielo.org/id/mv4m8/pdf/carvalho-9788523212087-03.pdf 

2 de julho de 1823. O dia em que o povo ganhou

Ubiratan Castro: O título mais feliz para o 2 de Julho foi criado pelo historiador Joel Rufino dos Santos: o dia em que o povo ganhou. Na história da Bahia e do Brasil, este foi o único momento em que a união e os esforços populares obtiveram uma grande vitória: a criação do Estado independente do Brasil. O 2 de Julho foi o resultado de uma ampla mobilização nacional, que uniu dos senhores de engenho aos escravos descendentes de africanos e todas as camadas sociais em torno de um projeto unificado de um Brasil independente, de um país economicamente autônomo e com a esperança de uma sociedade mais justa. Essa esperança é materializada no projeto da abolição da escravidão defendida pelas camadas populares, pelos republicanos e pelos escravos; projeto este que foi negado no dia 3 de julho de 1823. Com isso, o 2 de Julho inicia todo um ciclo de movimentos populares, como a Revolta dos Mata Marotos, os levantes populares contra a permanência no poder de elementos ligados à colonização portuguesa, os movimentos contra o monopólio do comércio exercido por comerciantes portugueses e pela nacionalização do comércio. Revoltas estas que chegaram até a revolução de 1830 e 1831, com a renúncia de D. Pedro I como imperador. UC: Não. Em nenhum outro estado houve uma resistência à independência parecida. Nas outras capitanias, o que prevaleceu foi a decisão do governo central no Rio de Janeiro, com Bonifácio de Andrada e Silva e o imperador Pedro I. Houve uma adesão administrativa formal ao grito da independência. Na Bahia, a situação foi diferente, porque a cidade estava ocupada por quase 10 mil homens das tropas portuguesas da Legião Constitucional, comandada pelo general Madeira de Melo, e a esquadra portuguesa comandada pelo Almirante João Félix. Estas tropas eram fiéis à proposta da re-colonização. Eram formadas por nacionalistas portugueses radicais, que defendiam a re-escravização, a re-colonização do Brasil. Então eles reagiram, fincaram pé em Salvador e expulsaram as tropas brasileiras, que se re-agruparam em Cachoeira e recôncavo, sitiaram Salvador com os portugueses dentro e travaram uma dura guerra para expulsa-los, o que aconteceu finalmente no dia 2 de julho. Por isso, é que a gente diz que a Independência do Brasil consolida-se na Bahia em 2 de julho de 1823. Porque se os portugueses fossem vitoriosos, eles teriam mantido a Bahia como colônia de Portugal e, pela posição geográfica do estado, impediriam a unificação de todo o território do Reino do Brasil. Com isso, fatalmente nós teríamos três países: um Nordeste, com capital em Recife, a Bahia colonial e o sul do país com sede no Rio de Janeiro. A vitória na Bahia assegura a unificação territorial do Brasil independente.
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PORTAL 2 DE JULHO 


Equipe

Coordenador 
Jocélio Teles dos Santos

Co-cordenador 
Wlamyra Albuquerque

Bolsistas

Ingrid Leoni de Queiroz

Marcele Moreira

Mona Lisa Nunes de Souza

Renê Salomão

FOTOS:

 alguns panfletos foram salvos 

POESIA: 

são três poemas de Castro Alves 


Ode ao 2 de Julho de Castro Alves (publicação) 


BAHIA HISTÓRICA:ODE AO 2 DE JULHO E MARIA FELIPA


O caboclo e a cabocla,representando o povo brasileiro

O DOIS DE JULHO 

Era no dois de julho 

A pugna imensa
 travava-se nos cerros da Bahia... 

Assim começa o belo poema de Castro Alves “ODE AO DOIS DE JULHO”,que celebra as lutas pela independência da Bahia,em 1822.Os portugueses se recusavam  a largar o osso e continuavam aqui,mandando e desmandando,mesmo após o Sete de Setembro.
O confronto estava nas ruas,principalmente,do Nordeste,ocupado pelo governador militar português,Inácio José Madeira de Mello,o”Madeira Podre”,como os baianos o chamavam.Salvador estava cercada por tropas leais ao Reino e nosso exercito,pobre,desarmado e faminto,teve que se valer de mercenários que lutavam por dinheiro e da população humilde,porém,destreinada,que lutava por amor e convicção.
Depois que as tropas de Madeira invadiram o Convento da Lapa,matando o Capelão e a Madre Abadessa Joana Angélica,que saiu em defesa do Convento,os ânimos acirraram-se mais ainda e o cerco aos portugueses se intensificou.A luta espalhou-se pelo Recôncavo,rica região açucareira e fumageira,banhada pelo Rio Paraguaçú,encabeçada por Cachoeira,”A Heróica”,elevada a capital oficiosa da Bahia;de lá,partia a resistência.
Ainda Castro  Alves:”O mundo perguntava,erguendo um grito,qual dos gigantes mortos,rolará?”
Vindos do interior,pessoas simples,como os vaqueiros conhecidos como”Encourados de Pedrão,”os sertanejos que formavam o batalhão do Príncipe ou Batalhão dos Periquitos,por causa do verde amarelo das fardas,batalhão criado pelo avô do poeta Castro Alves,José Antonio da Silva Castro, o Periquitão,  que teve um papel preponderante na nossa vitoria,lutavam com coragem.
Homens como Pedro Labatut, o Almirante inglês Lord Cochrane, Barros Falcão concretizaram nossa independência expulsando os lusos que eram cerca de 60000 homens  contra   2500 homens nossos,mal armados e mal alimentados,mas,cheios de um fogo que não se apagava,um amor pela pátria nascente e o desejo de liberdade.
Desse cadinho de raças surgiu a fantástica figura de Maria Quitéria de Jesus Medeiros,mulher,analfabeta,filha de português,que alistou-se no exercito vestida de homem e,com seu pequeno grupo aprisionou Trinta Diabos,um capitão de Madeira,temido por todos pela violência e maldade,numa refrega na Ilha de Itaparica.
Ao levá-lo a Barros Falcão,este lhe disse,assustado: 

-Mas,é o Trinta Diabos!? 

Ela falou: -E eu sabia!?Prá mim era só um maroto inimigo. 

Uma palavrinha sobre um quase garoto,magrinho e analfabeto,sem nenhuma experiência militar,que definiu a guerra: Luís Lopes. Era o corneteiro da tropa. Ao ver tantos portugueses reunidos na Colina de Pirajá, Barros Falcão, prudentemente ordenou o recuo.Mandou tocar:Cavalaria,recuar.

O Lopes,atrapalhado tocou:Cavalaria avançar. 

-Mandei  recuar,imbecil;disse Falcão. 

O Lopes tocou: Cavalaria,degolar. 

Madeira, assustado,pois sabia do abraço dos patriotas de Cochrane que abarcava a Pituba pelo lado esquerdo e Pirajá pelo direito,mandou tocar retirada completa e a tropa debandou,desesperada.Meu bisavô dizia que era como atirar em pombos;eles nem se defendiam mais. Volto com o poeta:

Lá no campo deserto da batalha
Uma voz se elevou,clara e divina,
eras  tu,liberdade peregrina
Esposa do porvir,noiva do sol. 

Com a fuga de Madeira e seus asseclas para Lisboa,perseguidos por Labatut até a foz do Tejo,o Brasil estava finalmente independente. 

“Tu que erguias subida na pirâmide
Formada pelos mortos de Cabrito 
Um pedaço de gládio no infinito 
Um trapo de bandeira, na amplidão...
Só recentemente,o Brasil começou a interessar-se e reconhecer a luta e os heróis do 2 de julho.
Minha homenagem aos heróis humildes da minha terra que defenderam o seu direito á liberdade e acreditaram num Brasil recém nascido como país para todos os seus filhos!
*leiam o poema completo na página 3.

Quem foi Maria Felipa?

Natural de Itaparica, Maria Felipa foi uma mulher de muita coragem, de grande beleza,  porte físico exuberante, habilidade de capoeirista e trabalhadora marisqueira, muito querida da população da Ilha de Itaparica, onde participou das lutas pela Independência na Bahia.

Maria Felipa comandou cerca de 40 mulheres num ato de ousadia e muito desembaraço, onde queimaram 42 barcos da esquadra, permitindo ao povo de Salvador a supremacia nos embates e a definição da situação, com a vitória sobre as tropas da dominação Portuguesa.

Em sua biografia destaca-se também a lendária história de quando Maria Felipa usou galhos de cansanção para dar uma surra nos vigias portugueses Araújo Mendes e Guimarães das Uvas.

"Maria Felipa foi uma guerreira negra que junto com cerca de 40 mulheres seduziram os portugueses e quando eles estavam completamente envolvidos, e sem roupa, deram-lhes uma surra de cansanção" - nos conta Hilda Virgens, da Casa de Maria Felipa.

Maria Felipa, ainda que pouco conhecida, é estudada hoje em Faculdades e Universidades. Esta mulher negra que lutou pela independência da Bahia ainda não foi devidamente reconhecida na história da Independência da Bahia. 
FONTE:Casa de Maria Felipa
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“O jogo duro do Dois de Julho” e as narrativas sobre
a participação da Bahia na Independência do Brasil em livros didáticos regionais para os Anos Iniciais 
- Autoras: 
Ana Heloisa Molina 
Carollina Carvalho Ramos de Lima 
Antíteses, Londrina, v.15, n.Especial: A independência do Brasil - 200 anos, p.081-117, Nov.2022 } 81

Resumo: Este estudo avalia a forma como a guerra de independência na Bahia é apresentada em seis livros didáticos regionais de História, aprovados pelo PNLD, entre 2004 e 2016. Buscamos reconhecer na narrativa histórica escolar elementos que reforçam e/ou fazem circular uma “memória das elites”, que supervaloriza o heroísmo baiano, a guerra e os militares, minimizando a participação popular e os diferentes interesses e projetos políticos entre os grupos sociais envolvidos. Avaliamos que a forma como a guerra de independência na Bahia é apresentada, de um lado, indica a permanência de uma leitura romântica da guerra e do “povo baiano”, preservada na memória coletiva sobre a “independência da Bahia”, cujas bases remontam ao século XIX; e de outro, reforça o estereótipo (da heroína romântica) e reduz a história das mulheres à mera curiosidade e/ou anedota. Além disso, a abordagem dos conteúdos revelou-se problemática, porque estabelece pouca –
ou nenhuma – conexão entre a história local e as experiências
históricas ocorridas em outras escalas, de modo que os
leitores teriam dificuldades de compreender e estabelecer relações entre o global, o nacional e o local, por exemplo. 
Extratos: 

A forma como e o lugar em que Maria Quitéria, a principal heroína da guerra de Independência na Bahia, é apresentada nas edições escolares é uma evidência da ênfase no militar e no bélico. Quitéria, antes de ser mulher, é um soldado e, como tal, é na luta armada que ela se destaca.

O período de guerra pela independência do Brasil durou de junho de 1822 a julho de 1823. Em abril de 1823 já existiam 13.000 (treze mil) homens no exército brasileiro, composto de baianos, sergipanos, alagoanos, pernambucanos, paraibanos, cearenses, potiguares e fluminenses. Foi grande o número de voluntários, dentre eles estava Maria Quitéria de Jesus. (TAVARES; NASCIMENTO; CUNHA, 2011, p.125, grifo nosso).

Aliás, a imagem de Quitéria que acompanha quatro (dos seis) livros é o seu retrato em trajes militares, pintado por Domenico Failutti (1872-1923) para compor a exposição do primeiro centenário da Independência no Museu Paulista.

A curiosa anotação do diário de Maria Graham nos possibilita refletir as possíveis marcas de referência de gênero e ação em elementos sígnicos de qualidades como valentia e coragem próprias à condição de soldado e transposto na indumentária de Maria Quitéria. “Sua vestimenta é a de um soldado de um dos batalhões do Imperador, com a adição de um saiote escocês, que ela me disse ter adotado da pintura de um escocês, como um uniforme militar mais feminino. Que diriam a respeito os Gordons e os Macdonalds? O traje dos velhos celtas, considerado um atrativo feminino?!” (GRAHAM, 1824, p. 292 apud SIMIONI; LIMA JUNIOR, 2018, p. 37).
A composição do rosto merece atenção também. Gomes relata que Failluti altera-o em relação ao retratado por Earle, possivelmente a pedido de Taunay. A mudança diz respeito à demarcação fenotípica.
Assim, os olhos, mais negros e profundos, adquirem um formato achatado. O nariz está mais proeminente e destacado. Os lábios, outrora finos e discretos, se avolumam e destacam-se pela cor enrubescida que contrasta com a pele. Esta foi colorida com um tom acobreado, próximo àquele característico dos indígenas. Em síntese, verificamos mais nitidamente o que Maria Graham
definiu, ao descrever Quitéria, como “as mais acentuadas
características dos índios”. É preciso que se registre que a própria
inglesa afirma que a mãe e o pai eram ambos portugueses, mas mesmo assim vê traços indígenas especialmente nos olhos e na testa (GOMES, 2019, p. 14).
A escolha do que seria uma “indianização” para Maria Quitéria pode ter raiz em contrastar com a pele alva de Dona Leopoldina, cujo retrato compõe a mesma galeria do museu (LIMA JUNIOR, 2016, p. 134) ou mesmo a sintonia com o movimento indianista que construirá as primeiras referências 

Em Brasil: Lugar de memórias, os autores destacam que na capital “a resistência aos portugueses aconteceu, principalmente, por parte dos negros e mestiços,
fossem eles livres ou cativos.” (BRITTO et al., 2014, p.170). No entanto, não são
exploradas as intenções desses sujeitos ao se alistarem nas tropas e, pior, na
narrativa a ideia de que a alforria foi uma concessão (do governo) às pessoas escravizadas, minimiza a agência dos negros na conquista da liberdade e na luta pelo fim da escravidão. Optamos por transcrever o trecho desta coleção que melhor evidencia este aspecto: “Em 2 de julho de 1823, as tropas brasileiras finalmente ocuparam Salvador, e algumas das pessoas escravizadas que lutaram no conflito receberam a alforria, enquanto a maioria retornou para o cativeiro (BRITTO et al., 2014, p.170, grifo nosso).
Essa discussão sobre a participação das camadas populares na guerra de Independência na Bahia passou a se fazer mais presente nos livros didáticos regionais que foram produzidos na virada da década de 2010 e aprovados pelo PNLD em suas duas últimas edições - 2013 e 2016. É provável que esta ocorrência esteja relacionada ao próprio processo de difusão das pesquisas historiográficas que trouxeram novos enfoques, na esteira de João José Reis.
Um pouco mais de dez anos depois do texto de Reis, Ubiratan Castro de Araújo publica A Guerra da Bahia (2001), no qual investiga a guerra de independência dando ênfase à participação das camadas populares no conflito, demonstrando

que soldados e homens livres pertencentes às camadas mais populares, em sua maioria negros, preocupavam as elites que temiam levantes e insubordinações. Na avaliação de Araújo (2001, p.50): “mais revolucionário ainda o fato de homens de todas as cores, de todas as condições civis, estarem sendo chamados para a constituição de um exército novo [comandado por Labatut], instrumento da vontade política de uma nação que estava se constituindo naquele momento”.
No artigo, A política do homem de cor no tempo da Independência, Araújo analisa os movimentos políticos entre 1798 e 1838 e caracteriza o período como o “tempo da Bahia Rebelde”, no qual “pobres e negros tentaram fazer política”, a partir de “um programa político popular cujos eixos principais eram a República, a democracia representativa, a autonomia regional, a igualdade racial inclusive no acesso ao emprego público, a reforma econômica pela abertura da fronteira agrícola e distribuição de sesmarias.” (ARAÚJO, 2004, p. 267). Nos livros didáticos, por sua vez, essa pauta de reivindicação dos grupos mais populares é praticamente esquecida.
Publicado em 2002, o artigo Em outra coisa não falavam os pardos, cabras, e crioulos: o “recrutamento" de escravos na guerra da Independência na Bahia, de Hendrik Kraay, analisa o recrutamento de escravos para as forças patriotas
durante o conflito, fazendo uma diferenciação entre a forma de recrutamento
de escravos e de homens livres e libertos de cor, que, segundo o autor, são
frequentemente confundidos. Kraay aponta que o alistamento de escravos ao longo da guerra foi uma medida improvisada pelo comandante brasileiro, e não havia promessas de liberdade para eles. Depois do conflito é que o governo brasileiro mandou alforriar os escravos que lutaram, porém, compensando economicamente seus proprietários.
Em 2006, na coletânea Independência brasileira: novas dimensões, Kraay, no capítulo “Muralhas da independência e liberdade do Brasil: a participação popular nas lutas políticas (Bahia, 1820-1825)”, reconstrói o cenário político da época, analisando a agência das classes populares naquele contexto de luta por autonomia. A Bahia, nesse sentido, aparece como um caso singular e nas palavras do autor "se acomoda mal na história mais ampla da independência brasileira.” (KRAAY, 2006, p. 309), especialmente, porque a guerra de independência na Bahia fomentou novas identidades políticas e formou uma consciência entre as camadas populares do seu papel na formação do Estado. Segundo Kraay, ainda que a independência na Bahia possa ser entendida como uma revolução conservadora, “seus vitoriosos nunca tiveram certeza de seu triunfo, e há muitos indícios de um patriotismo popular duradouro que interpretava a

independência como uma realização dos homens de cor.” (KRAAY, 2006, p.309)
 
Acessível no site: 


O Tribunal da Relação da Bahia e as lutas pela Independência do Brasil – O toque da corneta do Cabo Lopes – Maria Felipa e João das Botas na Defesa de Itaparica – Luis Alves de Lima e Silva (futuro Duque de Caxias) e Maria Quitéria nas batalhas – Madeira de Mello intervém na Corte de Justiça – Nasce o Sol a 2 de Julho

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Silva, Laryssa Dayse de Lima.
A tipografia comercial de Caruaru: história de algumas gráficas. / Laryssa Dayse de Lima Silva. - Caruaru: O autor, 2012.
91f. : il. ; 30 cm.
Orientador: Leonardo Araújo da Costa
Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) – Universidade Federal de Pernambuco, CAA. Design, 2012.
Inclui bibliografia
1. Artes gráficas – História (PE). 2. Tipografia – História. 3. Tipografia - Caruaru – (PE). I. Costa, Leonardo Araújo da (orientador). II. Título.
740 CDD (23. ed.) 
- acessível no site: 

3. História da tipografia
Por volta de 1393 e 1405 nascia Johannes Gensfleish Zum Gutenberg, em Mainz, Alemanha. Depois de crescido aprendeu o ofício de ourives, que era muito conceituado na época. Mas Foi durante a Renascença1, por volta de 1438, pesquisando sobre técnicas de impressão para a produção de livros, que Gutenberg teve a principal de suas invenções revolucionárias: o sistema de impressão em grande escala. Como não tinha dinheiro para custear, o ourives Johann Fust financiou seus experimentos (FONSECA, 2008).
Apesar das letras avulsas não serem novidade, pois a China já trabalhava com os tipos, e em vários outros países eram usados por encadernadores para titular capas de livros, Gutenberg aperfeiçoou esse sistema. Inúmeros experimentos foram feitos com a carta de indulgência de Mainz, datada de 1455, do Papa Nicolau V, é o primeiro registro do documento de impressão tipográfico (CAMARGO, 2003).
O processo tipográfico utilizava tipos móveis e reutilizáveis, fundidos em metal (HEITLINGER, 2006). Já que os de madeira, que ele já trabalhava e era bem sucedido, não apresentava resistência tendo em vista a obra que queria realizar: a impressão da Bíblia (CAMARGO, 2003).
Afirma Heitlinger (op.cit.) que a Bíblia de 42 Linhas, ou B-42 (Figura 22), como ficou conhecida, é o símbolo-chave de um momento de transição da história humana. A invenção da imprensa provocou uma revolução: a propagação do conhecimento para todos. De 15 a 20 mil tipos foram fundidos para que, enquanto uma página estivesse sendo impressa outra pudesse ser composta (FONSECA, id.). 
Processado por dívidas, pelo sócio financiador, Gutenberg perdeu a oficina em 1455, e a impressão da Bíblia, que já estava sendo confeccionada, foi concluída por Schoeffer e Fust. Gutenberg faleceu em 1468. Porém seu invento propagava-se por toda parte (CAMARGO, 2003).
Rapidamente a tipografia se expandiu. Instalou-se em cerca de 70 cidades até o século XV. Nuremberg se tornou um centro gráfico da Europa Central. (MEGGS, 2009).
Segundo Rizzini (1968), na Itália a tipografia foi disseminada em 1464. No apogeu de sua riqueza e artes patrocinou a primeira gráfica fora da Alemanha, em Subiaco, comandada pelo cardeal Turrecremata em 1465, que mapeou os passos da tipografia de estilo romano (MEGGS, op. cit.).
Um dos principais personagens foi Nicolas Jenson, que foi enviado para trabalhar na casa da moeda de Tours, de onde voltou com as informações de sistema de impressão e na Itália estabeleceu-se (CLAIR, 2009).
Na Suíça, Camargo (2003) afirma que a tipografia se estabeleceu em 1465, em Basiléia. Já Rizzini (1968), diz que foi em 1467. 
Em Veneza a tipografia surgiu em 1469, quando Johannes de Spira recebeu o monopólio de cinco anos de impressão em Veneza. Após seu falecimento seu irmão Vindelinus Spira herdou a gráfica, mas não o monopólio (MEGGS, 2009).
De acordo com Rizzini (1968), a tipografia chegou à Holanda em 1472, na Hungria e Espanha em 1473, na Bélgica em 1474, com o impressor inglês William Caxton (c. 1421-1491) que já tinha introduzido a tipografia no Reino Unido, regressou e instalou uma gráfica na cidade.
Em 1490 Aldus Manutius transformou os livros pesados e grandes em portáteis, tendo mais informações em menor espaço, descobriu que os caracteres itálicos eram bem mais estreitos que os romanos, compondo todo o livro em itálico e barateando o custo dos livros (CLAIR, 2009).
Em Portugal, a tipografia chegou atrasada. Apesar dos privilégios que trazia, ela não desenvolveu como nos outros lugares. As letras clássicas e o juízo crítico que fora proposto pela Reforma foram rejeitados por conta da influência jesuíta. Assim Portugal permanecia medieval em pleno Iluminismo. (CAMARGO, 2003).
Segundo Heitlinger (2006), Samuel Gacon imprimiu em seu prelo o primeiro livro de Portugal, em 1487, o Pentateuco, escrito em hebraico. O primeiro impresso escrito em português foi em 1489, o Tratado de Confissom, impressor desconhecido.
“Uma nação estrangeira a imprensa. Foi assim que Portugal se definiu” (CAMARGO, op. cit., p. 14). E com essa atitude impediu que o Brasil fizesse parte dessa história. 
4. Tipografia no Brasil/Nordeste
Portugal mantinha o Brasil na ignorância cultural (SILVA, 1988), pois, ao chegar aqui encontraram um povo tecnologicamente primitivo e julgaram mais importante oprimir sua cultura nativa do que ensiná-los a ler e escrever. Normalmente as colônias se utilizavam da tipografia como apoio administrativo, mas como o Brasil estava destinado à agricultura, e a população de colonos era muito pequena comparada ao território, Portugal não encontrou necessidade para implantação da tipografia (LIMA, 1997).
Acredita-se que a primeira tentativa de implantar a tipografia no Brasil partiu do governo holandês, durante o período em que ocuparam o Nordeste, entre 1630 e 1655, primeiro foi por Salvador, na Bahia, não sucedida, depois por Olinda, de onde se tem uma carta do Supremo Conselho Holandês das Índias ocidentais pedindo uma oficina gráfica para Recife, em 28 de fevereiro de 1642. Foi respondida positivamente, mas não atendida. Pesquisas julgam improvável a existência de uma impressora no Brasil durante o período holandês (LIMA, op. cit.), já que somente em 08 de junho de 1706 uma carta régia mandava sequestrar as letras e prender os donos de gráficas (CARDOSO, 2009).
Vianna (1945) afirma que a primeira oficina tipográfica que funcionou no Brasil, da qual há provas irrefutáveis com registros na Biblioteca Nacional, é a do Português Antônio Isidoro da Fonseca, que segundo Cardoso (2009) possuía o apoio do Governador Gomes Freire, com materiais vindos de Portugal, instalada no Rio de Janeiro em 1746. Foi dela que sairam os primeiros trabalhos produzidos no Brasil, como exemplo, a Relação da entrada que faz o Excellentíssimo e Reverendíssimo Senhor D.F. Antônio do Desterro Malbeyro, Bispo do Rio de Janeiro, em primeiro dia deste prezente anno de 1747 (CAMARGO, 2003). Mas teve sua oficina confiscada e foi deportado (RIZZINI, 1968).
Mas a maioria dos autores conta que a França decide invadir Portugal, e em 1807 a família real do Príncipe Regente D. João estrategicamente inicia uma fuga para evitar as tropas francesas e trouxe na bagagem uma grande biblioteca, juntamente com os prelos, letras tipográficas e boas expectativas, difundindo uma nova era. Foi Antônio de Araújo de Azevedo, ministro da Guerra e dos Estrangeiros do Príncipe Regente que trouxe junto com a Corte uma gráfica completa, aportando-se no Rio de Janeiro. Chegando aqui foi substituído por D. Rodrigo de Souza Coutinho, Conde de Linhares, que instalou a gráfica nos fundos da casa do Conde da Barca, situada na Rua dos Borbonos, próximo ao Passeio Público (CARDOSO, 2009). Nasce o que foi um marco na tipografia: a Impressão Régia em 13 de maio de 1808 (SILVA, 1988), cumprindo sua finalidade, a de tornar público os atos oficiais (CAMARGO, 2003). Lançou seu primeiro impresso: um folheto de 27 páginas com a relação dos despachos publicados e anunciando o aniversário do Príncipe (CARDOSO, 2009). Em 10 de setembro de 1808 originou o primeiro jornal editado no Brasil, a Gazeta do Rio de Janeiro (Figura 23), que funcionou até 31 de dezembro de 1822. Publicou também o primeiro livro, Reflexões sobre alguns dos meios propostos por mais conducentes para melhorar o clima da cidade do Rio de Janeiro, de Manuel Vieira da Silva (CAMARGO, op. cit.).
Até 1822, a Imprensa Régia monopolizou impressões no Rio de Janeiro, tendo em sua maioria cartazes, folhetos, documentos, etc. Só em 14 anos foram impresso mais de mil itens (LIMA, 1997).
Perde o monopólio e ganha um concorrente: a Nova Typographia e a Typographia de Morais Garcez, esta publicava o jornal pró-independência Revérbero 
Constitucional Fluminense (Figura 24) (1821-1832). No ano da Independência havia sete tipografias no Rio de Janeiro (CARDOSO, 2009), e muitas outras ao longo do tempo foram instaladas.
No Nordeste estima-se que as primeiras instalações surgiram na Bahia, em 1811. Manuel Antônio da Silva Serva teria implantado em Salvador a primeira tipografia provincial (RIZZINI, 1968) e com ela publicou o jornal A Idade de Ouro do Brasil (1811-1823) (CAMARGO, 2003). Em 1813, foi publicada a revista, O Patriota (Figura 25), por Manuel Ferreira de A. Guimarães.
Foi após a Revolução Constitucionalista do Porto, em agosto de 1820, que a Imprensa foi liberada. Não demorou muito para aparecerem diversos jornais e jornalistas de todos os seguimentos. Consequentemente abriu-se espaço para as primeiras tipografias independentes (CARDOSO, 2009).
O governador Bernardo da Silveira instala uma tipografia no Maranhão em 1821, no mesmo ano que Daniel Garção de Melo instala uma em Belém do Pará (RIZZINI,1968). Em São Luiz as crianças e mulheres também manipulavam as tipografias, por isso Belarmino de Matos chegou a criar uma caixa de tipos menores, para atender às crianças e esta se chamou a caixa maranhense.
Em 1823 a Paraíba recebe uma impressora Columbian e em 1824 o Ceará abre seu primeiro prelo (CAMARGO, 2003). 
5. Tipografia em Pernambuco
Com hipóteses de que a tipografia tenha sido primeiramente instalada em Recife, Silva (1988) subscreve que Antônio Joaquim de Melo, adquirira uma tipografia em Recife. Em sua obra Biografias de alguns poetas, homens ilustres da Província de Pernambuco, 3v, Recife 1856-59, II, p. 255, o autor diz que:
Em 1706 ou pouco antes, abriu-se pela primeira vez na cidade do Recife de Pernambuco uma tipografia, que começou por imprimir letras de câmbio, e breves orações devotas; mas tendo a ordem Régia de 8 julho do mesmo ano, ordenado ao governador de Pernambuco, que mandasse sequestrar as letras impressas e notificar os donos delas e oficiais da tipografia, que não imprimissem, nem consentissem que se imprimissem livros nem papéis alguns avulsos; a tipografia desapareceu. (SILVA, 1988, p. VIII).
Com a Impressão Régia (1808-1810) houve uma liberação para as gráficas funcionarem, então em 1815 em Pernambuco, o comerciante Ricardo Fernandes Castanho, mandou buscar de Londres um prelo, a primeira impressora oficial registrada no estado. Mas, por falta de mão de obra qualificada ficou inoperante até 1817, quando acontece a explosão da revolução pernambucana (SILVA, 1988), e a impressora é mantida nas mãos de revoltosos.
Com a presença do impressor inglês James Prinches em solo pernambucano, juntamente com um marinheiro francês e dois frades, os revoltosos aproveitaram-se deles para difundir seus ideais (COSTA apud. Lima, 1997), surgindo assim a Oficina Tipográfica da República de Pernambuco (RIZZINI, 1968), na qual Silva (op. cit.) nomeia como a Oficina Tipográfica da 2a Restauração de Pernambuco, também chamada de Oficina Tipográfica da 


República de Pernambuco 2a vez restaurada. Nela, os revoltosos imprimiram seu manifesto em 28 de março de 1817, O Preciso, que divulgava os últimos acontecimentos quanto à conspiração da revolução (MACHADO, 2010).
Posteriormente é lançada a Lei Orgânica, que proclamava a liberdade de imprensa, mas o impressor ou autor continuava responsável pelas obras, estando sujeito às leis impostas (SILVA, 1988).
Sabendo do “mau uso” da tipografia de Recife, o Príncipe Regente manda confiscar e levar a tipografia para a corte. Em 1820, o governador Luiz do Rego Barreto, autorizou a construção de um prelo para aproveitar os tipos que teriam ficado, instalando a Officina do Trem de Pernambuco, que publicou o primeiro jornal em 1821, o Aurora Pernambucana (NASCIMENTO, 1967). Segundo Camargo (2003), a tipografia foi vendida a particulares com o nome de Typographia Nacional.
Começaram a surgir jornais periódicos, como a publicação do Segarrega em 1821; em 1822 do Relator Verdadeiro, Gazeta Extraordinária do Governo, O Conciliador Nacional, O Marimbondo, Gazeta Pernambucana, Gazeta do Governo Temporário e Gazeta do Governo Provisório; em 1823 a Gazeta Extraordinária Pernambucana, Diario da Junta do Governo, Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco, Diario da Junta do Governo de Pernambuco, Escudo da Liberdade do Brasil, Diário do Governo de Pernambuco e O Caheté (SILVA, 1988).
O tipógrafo pernambucano Antonino José de Miranda Falcão (1798-1878) tomou posse da Typographia Nacional, que passou a se chamar Tipografia de Miranda e Comp., e em 7 de novembro de 1825, publica o primeiro fascículo do Diário de Pernambuco (SILVA, op. cit).
Vários jornais surgiram conforme mostra o quadro abaixo: 
De acordo com Oliveira (1986), em 15 de janeiro de 1916 circulou pela primeira vez o jornal Imprensa Oficial, destinado à divulgação dos atos do Executivo, com oficinas gráficas funcionando em uma sala do antigo Ginásio Pernambucano (Rua da Aurora), quando circulou pela última vez em agosto de 1920. Então o jornal Diário do Estado o sucedeu em 29 de março de 1924, com oficinas nas dependências da antiga Casa de Detenção, na Rua Floriano Peixoto, composto em linotipos, impresso em máquina plana Heidelberg. Em 1967, o governador Nilo de Sousa Coelho, resolve criar o CEPE – Companhia Editora de Pernambuco, em 01 de dezembro de 1967, firmando a empresa gráfico-editora oficial do Estado, funcionando em prédio próprio à Rua Coelho Leite, no 530, em Santo Amaro, dotada de um parque gráfico que era uma das mais completas do país. Enquanto a tipografia em Recife já estava bem instalada e avançada, na cidade de Caruaru no período do século XIX a tipografia começava a se firmar tomando seus próprios rumos. 
FIM DO EXTRATO 

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