2deJULHO - parte 2
Seria esta terra minha, sua, d’além mar, de Portugal? Seria esta fala macia o brasileirês mais correto? A pronúncia perfeita? O significado mais completo? Uma sopa de letras onde se possa ler lé com cré? Essas mesmas perguntas das quais se suspeita, vidas indiretas? Seriam as mil línguas de fogo, a Babel da Bíblia? Seria Aragão? Seria Castela? Portugal de Galícias? Os navios que por ora ardem e gritam, os navios em desesperos aflitos, os navios esperneiam e falam por mímicas… Chegou a hora de falar do Brasil, da moqueca, do arroz de haussá, bolinhos de feijão, e vatapá com pimenta, caruru e aguardente… Chegou a hora de queimar os navios, dizer em bom português “ora, pois”, a fumaça hoje cobre o Paraguaçu, Pirajá, Cachoeira, sai da foz e fecha horizontes no mar, o que faz tremer as ancas de Itaparica é semblante de felicidade… Nada que não fosse ódio e guerra, sangue e óbito, fogueiras a navegar de volta aos Trásmontes, ao “tende piedade”, e finalmente a Revolução dos Cravos. Nem haveria Carnaval ou Dois de Julho sem Maria Felipa e uma caixa de fósforos.
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VIDEO AULA
**casa autônoma 🐜 - segunda - 19/06
***a playlist tá invertida (precisa voltar) série "Mulheres da Independência"
- apresentação:
“visibilizar a história das heroínas que foram fundamentais para a vitória conquistada nas lutas pela Independência do Brasil na Bahia. O projeto é composto por quatro aulas que abordarão a trajetória de Maria Quitéria, Joana Angélica, Maria Felipa e das Caretas do Mingau, além de referenciar outras mulheres anônimas e que costumam ser invisibilizadas pela historiografia oficial.
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FICHA TÉCNICA DA SÉRIE
• Curadoria: Gabriella Melo • Professoras: Marianna Farias, Patrícia Valim, Luana Soares e Vanessa Pereira • Produção: Adriana Santana, Gabriella Melo e Milena Anjos • Edição: Maurício Lídio • Realização: Fundação Gregório de Mattos
- videos:
https://m.youtube.com/watch?v=yb2XISTw5f4&list=PLJJizq0cjHJ6Q0C-cQWmLKMtJFwrYunS3&index=5&pp=iAQB
Baianos vão ao Centro Histórico comemorar a independência
O 2 de Julho é a data mais importante da Bahia
Acessível em:
https://leiamaisba.com.br/2018/07/02/dois-de-julho-tem-programacao-antecipada-por-conta-do-jogo-do-brasil
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02 de julho e os poetas santamarenses
Festejamos em 02 de julho a Independência da Bahia. A data refere-se à fuga do Comandante português Madeira de Melo e seu exército de volta para Portugal, na madrugada de 02 de julho de 1823, pondo fim aos conflitos iniciados em 19 de fevereiro de 1822.
Como já vimos aqui, no post 14 de junho – tudo que um santamarense deveria saber, a Câmara de Vereadores de Santo Amaro foi a primeira a se posicionar oficialmente em prol da independência do Brasil, conforme a Ata da Vereação de 14 de junho de 1822. Esse fato é parte do processo começado em 19 de fevereiro, o que faz o 14 de junho santamarense ocupar um lugar relevante no movimento que culminou a deflagração da independência do país em 07 de setembro de 1822.
Ainda que o Recôncavo tenha se posicionado em favor da independência brasileira já antes da proclamação desta por Dom Pedro I, o Comandante Madeira de Melo e as tropas portuguesas persistiram em manter o domínio português sobre a Bahia. Na visão de Antonio Risério, em “Uma história da Cidade da Bahia”, havia pelo menos três significados para os portugueses em manter o controle sobre a Bahia.
Primo. Portugal não perderia por inteiro o Brasil – ao contrário, teria em suas mãos uma das províncias mais ricas […]. Secondo. O domínio da Bahia permitiria pensar numa partilha do Brasil – um reino autônomo poderia se articular no Centro-Sul, mas Portugal ficaria com um vasto território americano, estendendo-se da Província baiana a terras amazônicas […]. Terzo. A ocupação militar desse espaço, do Leste ao Extremo Norte, quiça abriria caminho para futuras investidas, conduzindo à reconquista lusitana de todo (ou quase todo) o Brasil. (RISÉRIO, 2004, p. 327)
Por essa razão, o 02 de julho de 1823, independência da Bahia, tem uma importância primordial na consolidação da independência nacional.
Mais adiante, compartilho 03 poemas de santamarenses sobre o 02 de julho. O primeiro, de Amélia Rodrigues, sobre a qual já escrevemos aqui, traz pedagogicamente à memória o martírio da Madre Joana Angélica, ocorrido em 19 de fevereiro de 1822, início das lutas pela independência da Bahia. O segundo e o terceiro são de Domingos de Faria Machado, uma personalidade sobre a qual ainda desejamos escrever aqui no blog, entre outras coisas, por ser o compositor da Novena de Nossa Senhora da Purificação. Os dois poemas foram publicados em 1851, seguindo o costume de compor hinos e poemas ao 02 de julho, que recebeu durante todo o século XIX uma reverência própria à que damos às coisas sagradas.
Esses poemas são apenas alguns exemplos dos muitos compostos naquele século, alguns dos quais pelo próprio Domingos de Faria Machado, mas também por outros poetas e poetisas da Bahia, que se dedicaram fartamente a fazerem uma representação do 02 de julho pela ótica de ideias como o sacrifício, a heroicidade, a liberdade. Estes e outros poemas podem ser encontrados nos livros “O Patriota de Santo Amaro: Domingos de Faria Machado” e “O 2 de Julho na Bahia: antologia poética”, ambos organizados pela profª. Drª. Lizir Arcanjo Alves.
JOANA ANGÉLICA
Às crianças baianas
Crianças! Aprendei de nossa História
Um fato mais: tragédia desumana
E vil, porém que cinge de honra e glória
A fronte pura da mulher baiana.
Vou resumi-lo para vós. Um dia,
(Ao rebentar da Independência a luta)
Pela cidade ouviu-se a correria
Da soldadesca lusa, infrene e bruta.
Queria sangue e oiro. Indescritível
Era o seu ódio, o seu desbragamento
Fere, mata… e depois, ímpia, terrível,
Assalta e quebra as portas de um convento,
O convento da Lapa, ninho santo,
Onde viviam dignas brasileiras
Como pombas de Deus, no doce encanto
Da fé cristã. As inocentes freiras
Desmaiam de terror. Caíra morto
O velho capelão, p’ra defendê-las…
Nessa hora de pranto e desconforto
Meu Deus! Meu Deus! O que seria delas?
Madre Joana Angélica, a abadessa,
Assoma à porta, que o machado abrira,
E exclama, erguendo a virginal cabeça,
E o braço firme, numa santa ira:
“Ímpios!… para traz!… respeitai a morada
Das servas do senhor!…” no mesmo instante,
Tomba morta, de golpes traspassada…
E a canalha cruel passa adiante,
Pisando o nobre coração sem vida
E a fronte branca, a resplender virtude,
Da heroica mártir. Ó Pátria querida,
Não a esqueças jamais!… Ó juventude,
Recordai sempre o seu brilhante exemplo
De pureza e coragem varonil!
Sacrificai-vos defendendo o templo,
O lar, a honra, o nome do Brasil!
Amélia Rodrigues. Revista Cívica. Edição especial comemorativa do 1º centenário da independência brasileira. XVII, 46, 2 julho 1923.
HINO BRASILEIRO
Para ser cantado no glorioso Dia 2 de Julho
(Poesia dum sant’Amarense liberal, música de outro, oferecida à Briosa Sociedade 2 DE JULHO, instalada nessa cidade no dia 13 de maio de 1851)
Viva de Julho o segundo
Dia de prosperidade
Para o Brasil o primeiro
Império da Liberdade.
Nossa firmeza
Nossa união
Trará da Pátria
A salvação
Tu, Bahia a 2 de Julho
Marcaste uma nova idade
Debelaste os opressores
Deste ao Brasil Liberdade.
Foi dos céus por Febo ardente
Que a Divina Majestade
A 2 de Julho enviou-nos
A vitória, e Liberdade.
Viva a nossa Independência
Viva em Pedro a lealdade
Vivam os brados defensores
Da Pátria e da Liberdade.
Rege nossas convicções
A social trindade,
Vive em nossos corações
Pátria, Pedro e Liberdade.
Nosso Império aurifecundo,
Prodígio da Divindade,
Produziu Pedro segundo
Garante da Liberdade.
Pedro exemplo dos monarcas
Americana entidade,
Há de ser por natureza
Amante da Liberdade.
Veremos quando ante o Trono
Aparecer a verdade
Abrasar-se a tirania
No fogo da Liberdade.
Valor e patriotismo
União, fraternidade
Devem ser nossas divisas
Escudos da Liberdade.
Baldos recursos procuras
Teimosa atualidade:
Não há poder que suplante
Do Brasil a Liberdade.
Nossa firmeza
Nossa união
Trará da Pátria
A salvação
(Domingos de Faria Machado. Argos Sant’Amarense, 2 julho 1851, p. 3-4)
SONETO
Ao Índio do carro triunfal na sua descida da praça da Matriz para a rua do Trapiche de baixo à meia-noite.
Lá ribomba o canhão da Liberdade,
Festivo o campanário ao mundo soa,
Nossa gente nas praças se amontoa
De toda condição, de toda idade.
A livre, heroica, ardente Mocidade
Ao ledo DOUS DE JULHO hinos entoa,
Um pensamento existe, um brado ecoa:
Liberdade!… União!… Fraternidade!…
Ali vejo abatido o servilismo,
Erguida à Liberdade uma memória,
Um Índio-rei curvando o despotismo!
Eis o símb’lo leal d’alta vitória,
Que excita em livres peitos o heroísmo,
Reminiscência, júbilos, e glória!
(Domingos de Faria Machado. Argos Sant’Amarense, 20 julho 1851, p. 4)
Rev. Pe. Adriano Portela dos Santos
Elton Linto: a independência da Bahia
Retorno aqui novamente
Tendo a sua companhia
Pra novamente escrever,
Numa curta alegoria,
Mais uma bonita festa
Tradicional da Bahia.
Usarei do bom cordel
Como espécie de embrulho
Pra cantar um grande fato
Motivo de nosso orgulho
Certamente estou falando
Da festa do 2 de Julho.
Diferente dos demais
Festejos do nosso Estado
Essa data representa
Pra nós um grande legado
Desse modo o 2 de Julho
Na Bahia é feriado.
Muita gente no Brasil
Acredita plenamente
Que essa nossa independência
Se deu por um acidente
Lá nas margens do Ipiranga
De modo mais que decente.
Mas não sabem que morreram
Muitos homens e mulheres,
Escravizados, caboclos,
Capitães, também alferes
Pra nos dar a liberdade
Que tu, de fato, preferes.
Pois o Sete de Setembro,
Data por demais cantada,
Não deu a nós, brasileiros,
A liberdade esperada.
Nossa terra a Portugal
‘inda estava alienada’
Lá em mil e oitocentos
No ano de vinte e três.
Luís Madeira de Melo,
Comandante português,
Continuou seus desmandos
Com furor e rigidez.
Defendendo Portugal
O Brigadeiro de Melo
Mantinha a posição
De um estado paralelo
Contra o já Imperador
Do brasão verde e amarelo.
Aos poucos foi expulsando
Os cidadãos acuados
Que encontraram no Recôncavo
Muitos outros aliados
Sedentos por liberdade:
Nossos bem-aventurados.
No Recôncavo Baiano,
A heroica Cachoeira
Se tornou a capital
Provisória da guerreira
Nação, que assim expulsou
O Brigadeiro Madeira.
Muito nome importante
Na história ficou marcado:
Labatut, João das Botas,
Miguel Calmon - nomeado
Adiante Marquês de Abrantes
- Deixaram um bom legado.
Também a Joana Angélica
Por morrer num cativeiro.
E a grã Maria Quitéria
Se passando por Medeiros
Se tornou Dama de Honra
Do exército Brasileiro.
Pela nossa liberdade
Até hoje festejamos
Em variadas cidades
Tudo o que aqui conquistamos
Pois a nossa independência
Foi aqui que decretamos.
No centro de Salvador
Fanfarras fazem cortejos
Da Lapinha ao Terreiro
O povo com seus gracejos
Segue durante a manhã
Se jogando nos festejos.
Da Praça Municipal
Ao Campo Grande, na tarde,
Segue o povo em seu trajeto
No meio de muito alarde
Pois o sol aqui castiga
- De tão forte chega arde.
Escolas municipais
Desfilam com suas bandas
Também se pode encontrar
Empresas com propagandas
E o moradores do Centro
Não desgrudam das varandas.
A imagem do Caboclo,
Com sua lança empunhada,
Por turistas e baianos
É a mais requisitada
Para fotos e homenagens
Por estar bem laureada.
Por ser um ato civil
Há quem sempre assimile
A política baiana
Ao nosso belo desfile
Não há homem do poder
Que nessa data vacile.
Partidos de todo o tipo
Participam dessa festa
E o grito vindo do povo
Durante o trajeto atesta
Que o político é aceito
Se não, o povo protesta.
Encerro aqui ressaltando
Que o 2 de Julho serviu
Pra mostrar a quem quiser
Que a Bahia interferiu
Em tudo nessa nação
A qual chamamos Brasil.
* Elton Linton O. Magalhães é mestre em Literatura e Cultura e professor da UCSal
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Acessível em:
https://www.correio24horas.com.br/amp/nid/elton-linto-a-independencia-da-bahia/
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Samba 2023
Beija-Flor anuncia enredo sobre o 2 de Julho baiano, 'decreta' nova data da Independência e convoca povo à luta por liberdade real 'sem caô' - Setor 1
Independente pra valer?
O carnavalesco foi promovido na Beija-Flor este ano após o elogiado desfile sobre a intelectualidade negra, quando formou dupla com Louzada no papel de assistente. Seguindo a linha crítica de reivindicatória de 2022, os dois voltam a provocar o público.
Segundo Louzada, outras lutas pela independência do Brasil também terão espaço
“O nosso desfile será um monumento vivo aos verdadeiros ‘Heróis da Liberdade’. Além dessa batalha, também vamos aclamar todos os movimentos sociais significativos que buscaram a libertação da nossa pátria, da Independência até hoje. Queremos entender se, de fato, desatamos as amarras em relação à Coroa Portuguesa ou só trocamos o poder de mãos. E onde o povo brasileiro estava nesse episódio, bem como os ideais de liberdade e igualdade”, explica o carnavalesco.
Convocação por independência e vida (sem caô!)
O enredo é assinado por Rodrigues e pelo professor Mauro Cordeiro, que também ficou responsável pela pesquisa e justificativa. Participam ainda da formulação do enredo a Beatriz Chaves, João Vitor Silveira e Jader Moraes, que escreveram, com Rodrigues, uma convocação para o público.
O texto abre com um lema “independência e vida”.
Por uma questão de desordem no que se diz respeito às memórias que este país constrói: VAMOS NOS UNIR, BRAVA GENTE! Esta é uma convocação aos sobreviventes deste país que não nos reconhece. Um país que ignora nossas existências. Um país que comemora 200 anos da marginalização da sua própria gente. Seremos a voz do desejo de uma nação inteira: independência e vida!
Trecho da convocação divulgada pela Beija-Flornone
“Propomos, então, um novo marco para a Independência Nacional: O dia em que o povo venceu, o 2 de Julho. O triunfo popular de 1823 é muito mais sobre nós e sobre nossas disputas. O Dia da Independência que queremos é comemorado ao som dos batuques de caboclo, cantando que até o sol é brasileiro. Precisamos festejar os marcos populares em festas que tenham cheiro, cor e sabor de brasilidade, reconhecendo o protagonismo feminino e afro-ameríndio. Somos aqueles e aquelas que, excluídos dos espaços de poder, ousam ter esperança no amanhã. O Brasil precisa reconhecer os muitos Brasis e suas verdadeiras batalhas”, continua a convocação, que encerra com um “papo reto”.
O grito será por justiça e liberdade, igualdade sem neurose e sem caô.
Convocação da Beija-Flor para o Carnaval 2023none
Leia a convocação e justificativa na íntegra:
CONVOCAÇÃO
Por uma questão de desordem no que se diz respeito às memórias que este país constrói: VAMOS NOS UNIR, BRAVA GENTE!
Esta é uma convocação aos sobreviventes deste país que não nos reconhece.
Um país que ignora nossas existências.
Um país que comemora 200 anos da marginalização da sua própria gente.
Seremos a voz do desejo de uma nação inteira: independência e vida!
O Estado brasileiro foi erguido sobre um conjunto de mitos e símbolos que justificam as violências que ainda hoje são implementadas contra nós. Não é por acaso o apagamento do verdadeiro protagonista da história nacional: o povo brasileiro. Esta é a brava gente que está ausente dos atos cívicos que celebram nossos mitos fundadores. Excluídos.
Se as pautas fundamentais para uma nação soberana, independente e justa são trabalho digno, moradia, alimentação, participação popular, igualdade de direitos e liberdade plena, a grande pergunta é: este é o Brasil em que vivemos?
Propomos, então, um novo marco para a Independência Nacional: O dia em que o povo venceu, o 2 de Julho. O triunfo popular de 1823 é muito mais sobre nós e sobre nossas disputas. O Dia da Independência que queremos é comemorado ao som dos batuques de caboclo, cantando que até o sol é brasileiro. Precisamos festejar os marcos populares em festas que tenham cheiro, cor e sabor de brasilidade, reconhecendo o protagonismo feminino e afro-ameríndio. Somos aqueles e aquelas que, excluídos dos espaços de poder, ousam ter esperança no amanhã. O Brasil precisa reconhecer os muitos Brasis e suas verdadeiras batalhas.
É a partir desta data que provocamos uma nova comemoração da independência do Brasil. A independência do povo para o povo. Faremos, então, um grande ato cívico em louvação aos 200 anos de luta dos brasileiros, herança dos heróis e heroínas que forjam dia a dia, através de suas batalhas, uma nação verdadeiramente livre e soberana.
Reivindicamos e nos orgulhamos das lutas históricas e sociais daqueles que nos precederam nesta incansável batalha pela cidadania.
Juntem-se e vistam suas fantasias, pois será um grande carnaval quando em praça pública declararmos nossa própria independência. NÓS, O POVO! Juntando tudo e todes. O novo Brasil ditará as ordens a partir da folia. Alegria e manifestação! Nossa bandeira será um grande mosaico do que somos de verdade, feita a partir do retalho do que cada um tem a oferecer daquilo que lhe representa.
A cultura é o nosso poder, e, é através dela que lutamos pela transformação social, colocando o povo no pedestal que lhe é de direito. Por isso fazemos carnaval, é a nossa missão, sempre construindo o país que acreditamos, e lutando para que ele seja um dia, realidade. O grito será por justiça e liberdade, igualdade sem neurose e sem caô.
Nilópolis, 02/07/23. Dia dos 199 anos da Independência do nosso Brasil
JUSTIFICATIVA
O G. R. E. S. Beija-Flor de Nilópolis irá apresentar no carnaval de 2023 o enredo “BRAVA GENTE! O GRITO DOS EXCLUÍDOS NO BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA”.
O bicentenário da Independência é um momento propício para um debate profundo acerca dos rumos e do próprio sentido do país. O carnaval carioca, alegria e manifestação, não poderia ficar de fora desta ampla discussão. A festa consolidou-se como um espaço privilegiado para reflexão e a disputa de questões de importância fundamental em um espetáculo artístico de inegável dimensão política e caráter pedagógico.
Através do seu desfile, um ato cívico, nós propomos que a independência é um processo, defendemos um novo marco para a emancipação política brasileira, destacando o protagonismo popular enquanto denunciamos o caráter autoritário, tutelar, excludente e desigual do Estado, desde sua gênese até a atualidade.
Ao invés de celebrar ritualísticamente o mito fundador da pátria – o grito do Ipiranga no 7 de setembro, argumentamos em favor de um novo marco, capaz de oferecer um sentido que consideramos mais próximo da verdade histórica de uma independência que foi conquistada; não proclamada. Este marco é o 2 de julho de 1823, data da vitória das tropas brasileiras na conflagração instalada na Bahia.
Ao mesmo tempo, iremos rememorar esses duzentos anos a partir da perspectiva das camadas populares apontando as mazelas, contradições e limites da construção nacional.
Heroico é o povo que constrói a sua própria autonomia através da luta. Esta é a nossa história: nada nos foi dado; cada um dos nossos avanços foi obtido pelos nossos próprios esforços.
Se o Estado brasileiro se ergueu como um instrumento para conservação de uma ordem patriarcal, escravocrata e latifundiária, o povo brasileiro, mesmo alijado dos espaços institucionais, insiste em disputar no Brasil sem temer nem a luta, nem a morte.
Este enredo é um grito que ecoa do Brasil profundo e se faz ouvir aos quatro cantos. Das aldeias, guetos, terreiros e favelas um brado em uníssono se faz clamor: independência e vida! Este é o nosso grito.
Autores do Enredo: André Rodrigues e Mauro Cordeiro
Desenvolvimento: André Rodrigues, Mauro Cordeiro e Alexandre Louzada
Convocação: André Rodrigues, Beatriz Chaves, João Vitor Silveira e Jader Moraes.
Pesquisa e Justificativa: Mauro Cordeiro
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Acessível em:
https://setor1.band.uol.com.br/beija-flor-enredo-carnaval-2023-2-de-julho/amp/
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Beija-Flor de Nilópolis celebra o 2 de Julho como verdadeira independência do Brasil
Depois da Estação Primeira de Mangueira e da Unidos da Tijuca homenagearem a Bahia no primeiro dia dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, na madrugada desta terça-feira (21) foi a vez da tradicional Beija-Flor de Nilópolis lembrar das glórias baianas na folia fluminense.
O enredo da terceira maior campeã da competição – com 14 títulos – lembrou os 200 anos da independência do Brasil na Bahia, ocorrida em 2 de Julho de 1823, reconhecida pela escola de samba como a data verdadeira da libertação brasileira frente a Portugal.
Um dos destaques da Beija-Flor – que entrou na Sapucaí com 23 alas, seis carros, três tripés e 3,5 mil integrantes – foi a cantora Ludmilla, que integrou o time de intérpretes da escola de Nilópolis.
Logo no início do desfile, a Beija-Flor tentou contar a história da independência do Brasil de uma outra forma, questionando o 7 de Setembro e ressaltando a participação popular na construção da conquista nacional. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira estavam caracterizados de caboclos, que simbolizam o povo brasileiro nas comemorações do 2 de Julho na Bahia.
Ao abordar mais diretamente o 2 de Julho, a escola de Nilópolis destacou a pescadora Maria Felipe – negra, moradora da ilha de Itaparica e heroína da independência do Brasil na Bahia –, que foi interpretada pela cantora Majur.
Além da independência do Brasil na Bahia, principal foco do desfile da escola, os baianos foram lembrados pela Beija-Flor quando outras revoltas populares brasileiras foram lembradas. No caso, a Revolta dos Malês – levante de negros islâmicos no centro de Salvador no século XIX, foi referenciada em uma das alas.
O samba-enredo da Beija-Flor em 2023, composto por Léo do Piso, Beto Nega, Manolo, Diego Oliveira, Julio Assis e Diogo Rosa, ressalta a participação de negros escravizados no 2 de Julho e cobra igualdade racial no Brasil de hoje.
Em um momento da música, a letra exalta figuras femininas da história brasileira, falando em “mátria” e afirmando que “são Marias e Joanas os Brasis que eu quero ter”, em referência a Maria Felipa, Maria Quitéria e Joana Angélica, heroínas baianas da independência do país. Confira abaixo o samba-enredo interpretado por Neguinho da Beija-Flor.
A BAHIA E A BEIJA-FLOR
Esta não é a primeira vez que a Beija-Flor homenageia a Bahia em seus enredos. Em 1972, a relação entre o estado e a escola de samba teve início com o tema “Bahia dos meus Amores”, que ficou com a sexta colocação do Grupo 2 do carnaval do Rio de Janeiro.
Depois, a Bahia voltou a aparecer nos enredos da Beija-Flor no desfile vice-campeão de 1981 – Carnaval do Brasil, a oitava das sete maravilhas do mundo – e na apresentação campeã de 2007 – Áfricas: Do berço real à corte brasiliana. Entretanto, apenas em 2023, 51 anos depois, é que a escola de Nilópolis voltou a ter o estado como o tema de seu carnaval.
VILA ISABEL
A Bahia também foi citada no desfile da Unidos de Vila Isabel, que fez um desfile em homenagem a festividades que têm origem em questões religiosas. A Lavagem do Bonfim e a Festa de Iemanjá, ambas tradicionais de Salvador, tiveram espaço no enredo da escola carioca.
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Acessível em:
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