A.PEIXA 2023 - poesia


NÃO É FANZINE, imprimir apenas uma leva desses poemas, não tive cabeça para editar, tem o anexo [mesma coisa] que está num arquivo "blloco de notas", é isso - beijos
Thiago Mathias 
Os pés descalços de unhas por fazer
Não veem a hora de sair do asfalto quente 
Pra pisar no areia quente
Sabendo que as águas geladas do mar lhe esperam 
Pés ressecados com frieiras
Cansados da labuta da bota EPI 
Aquela que incomoda
Quanto mais se aproxima do mar
Mais tem alento
Quando o mar se aproxima do mar
Mais sabe que a proteção vem das águas 
De orixá poderosa
Rainha das cabeças entregues em bandejas de prata
Pra tubarões famintos
Rainha das caudas das sereias e tritões
Protetora dos mares 
Dançarina das marés 
Alegria de quem atravessa a última encruzilhada
Chegando perto
Sentindo a brisa salgada 
Vislumbrando o jacaré 
Nem tão fã de água assim
Mas firme no propósito 
De renovar tudo de ruim do dia 
Tem sol ainda
Mate, biscoito globo 
Milho, picolé e açaí 
E a certeza da proteção 
Que sempre estará ali
- Iemanjá fornece o melhor creme para os pés do mercado de peixes 

Dife 

.

_____________________________

VIVI RAC 

A sétima onda no horizonte.

Oh mãe! Me embala na sua água, salgada e quente. Me guarda e conduz, seja minha guia referente, mesmo ou principalmente quando eu for puxada por uma corrente mais profunda e fria, exatamente aquela que eu não queria.
Me guarda com teus espelhos, que mostram o caráter auto referente. Me mostra o que é ser gente.


_____________________________

Poesia - 22/07/21 
LUIZ VAILLANTES 
e outro pro A.PEIXA 2022 
Suspensão da realidade

O passeio de barco foi maravilhoso, barco emprestado, guiado na intuição, com direito a parada junto às ilhas cagarras, me cagando de medo da guarda costeira me pedir documentos.
Sorte que um amigo pescador me passou o básico das correntes marinhas e dos ventos de hoje, tive tempo de ancorar, olhar e olhar, falar e ouvir, e tudo estava perfeito entre eu e ela, mesmo nada tendo acontecido, afinal amor as vezes se expressa na distância do possível, pressa as vezes atrapalha tudo.
Quando voltamos ela me abraçava pelas costas enquanto eu guiava o barco e encostou seu rosto no meu ombro e me falava que era o melhor dia da sua vida e eu só ria e água salgada descia dos olhos, pois perfeito era ali estar.
Quando ancorei perto da Ilha onde moro foi que tudo desandou. Os ventos, antes serenos, começaram a uivar enquanto desembarcávamos, e uma nuvem de poeira de barro e areia nos deixou às cegas. 
No afã de amarrar o barco para que ele não se perdesse, soltei a mão dela por um instante e não pude mais encontrá-la.
Gritei por ela, mas o vendaval gritava mais alto, com toda a fúria da natureza.
Corri pra achá-la, mas o vendaval dominou meus pés e me fez de marionete.
Chorei de medo, mas dos meus olhos escorreram rios de lama. 
Sentei quieto, esperando o fim do fim do mundo e quando o vendaval passou ela não estava mais em nenhum lugar à vista.
Quando perguntei por ela na ilha descobri que ninguém a tinha visto, até mesmo a pessoa que a apresentou a mim me disse não conhecer ninguém como ela.
No fim das contas eu concluí que ou ela abraçou o saci e meteu o pé ou voltou pro mar pra junto das sereias de onde ela deve ter vindo. 
.
.

_____________________________

ODOOYÁ! 
de: Jorge Amâncio 
 
Seu vestido
rodopia
a voz do mar.
 
O corpo
ondula
o ar dança.
 
Guarda
conchas e pedrinhas,
na porcelana azul.
 
No branco da mesa
pato peixe canjica,
oferendas à rainha.
 
Na África
mulher de Oxalá.
 
Saíram de Inaê
Olokun Oxóssi Xangô Oxum.
 
Mãe dos seios úmidos
uma sereia
rainha do mar

 
*** 

em blog 
“Laboratório de Criação Poética”
.

_____________________________

Geise Gênesis 

Despertei e ainda era noite
Era dia dela
Ela que sempre recebe meu pranto
A serei que canta e me abraça
E que mora no mar
Vesti roupa branca
Pus água de cheiro
Flor no cabelo
Caminhei até sua casa
Para lhe saudar
Odoyá
Parece que eu ainda sonhava
O sol saindo da água
A peixa saltando no ar
Silêncio de lágrima prateada
Joguei as flores pra ela
E chorei minha vida inteira
Ela me estendeu os braços
No abraço de mãe d'agua
Chorei minha vida inteira
E como se não bastasse
Chorei a vida de todos
Os meus amigos
A poluição dos rios
O desmatamento das matas
Chorei todo lixo na imensidão
Das águas salgadas
E como se já não bastasse
Chorei nosso esquecimento
E a falta de cuidado
Chorei a solidão da humanidade
O desamparo da civilização
Mergulhei, mergulhei
No mar de amor
Para curar
Graças!
Yemanjá que
não tem medo
De se dar


_____________________________

+ 110 linhas 


A PEIXA - poema 1 

**poema para agradecer a existência da PEIXA _magia estar com tanta beleza nesse dia, com essa gente _salve Iemanjá, seus mistérios sobre nós, odoyá!! 
~~~~~~~~~~~~~~~~~~
majestosa é a peixa 
quando rouba o ar dos incautos 
com bailados que ocorrem 
às vistas 
cardumes aos saltos 
colares, brincos, brilhos 
de uma beleza profunda 
moças 
em seus vestidos rodados 
danças aos giros 
de sensações ondulantes 
umbigadas de fertilidade 
em samba de roda 
é quando 
espalham perfumes 
baita encanto aos olhos 
é de chorar 
em gotas de vidros 
pequenos diamantes 
escorridos na face 
como orvalhos 
em flores incertas 
se há deslumbre por dentro 
são suspiros 
quando se formam as nuvens 
na brevidade do espanto 
se há na mensagem sonora 
sinfonia no mar 
também são espumas 
quando bailam 
e se divertem 
e se exibem ao sol 
enquanto refletem essa luz 
misturando-se ao vento 
e nesse barulho de ondas 
está guardada uma voz! 
que pede coragem 
para estar por inteiro 
no momento exato 
uma cachoeira 
em que há sobressalto 
e se faz água pura 
aos lábios 
da deusa 
esta que nada exige 
senão partilhar energia 
a magia do encontro 
serenidade inscrita 
na troca de abraços 
para além de imprecisos olhares 
embaçamentos 
espelhos foscos 
esforços 
para assumir alguns medos 
como enfrentamentos aflitos 
encarar as ondas 
tormentas estranhas 
e necessárias entregas 
se essas ainda despertam 
abundantes sorrisos 
no rasgo da face 
se essas ainda devolvem ao mar 
a vivência do enigma 
- uma única lágrima basta! 
e já surgem outras 
danças no cosmos 
se essas integram 
e completam 
os sentidos da alma 
como cores espessas 
para além da pintura 
das tintas, pincéis 
superfícies fáceis 
para composições surreais 
em narrativas do cotidiano 
- maiores serão os mistérios 
numa tela abstrata 
retratos em movimento 
paisagem indomável 
talvez a dádiva 
a invenção de universos 
centenas de estrelas 
em pontos no céu 
por caminhos distantes 
trilhas feitas de ritos 
ritmos, assombros, mistérios 
milhões de maravilhamentos 
em revelações surpreendentes 
de mergulhos profundos 
onde o deslumbre do mundo 
ainda instiga uma reza 
uma entrega 
o que integra 
o que intriga 
como a existência concreta 
do mito.  
- foi preciso ter vivido 
vida viva a navegar 
na intensidade dos signos 
mar onírico, sonhos 
o despertar das vagas 
lembranças revôltas 
de um baile sublime 
em danças de fertilidade 
remelexo de tudo 
pra agrado da PEIXA 
mãe dos mares 
rainha das águas 
jorro das fontes 
e o que fica 
é o toque suave 
das ondas: 
poemas escritos 
como tatuagens marinhas 
impressas na pele 
. - A.PEIXA 2018

_____________________________
Raphaela Del Pino
Amor do mar * Aquele que não se doma
De madrugada
O mar canta mais forte.
Pensava, enquanto as ondas
Batiam na beira da praia e 
Nela, dentro.
Cheia de espumas,
Ouvia o farfalhar das areias
Enquanto acariciava o corpo,
Num banho de águas doces,
Sua alma, salgada.
O som que soava das marés
Inundava o corpo inteiro,
Entre baião e xote,
Partido alto e pagode,
150 bpm e funk antigo.
Era um ir e vir,
Acelerar e acalmar.
Calmaria era coisa da alma,
Feita do sal dos oceanos,
Pensava, penteando os cabelos, 
Seus.
Dela.
Ela era toda de brilho das conchas,
Perfume das luas,
Caminhos dos mares.
E ela, era toda da Sereia que cantava
No mar,
Mais forte,
Na madrugada.
Era, ela, da lua cheia,
E Dela, seria,
Nua,
Porque não carecia de mais nada.
Agradecia.
_____________________________
Claudia Tonelli
onde se vê nuvem
sou água viva
a queimar peles
quando nuvem
torno-me chuva
fluida, água-viva
a lavar dores. 
_ciclotimia_ 
Claudia Tonelli 
_____________________________
Alexandre Durratos
28 de janeiro às 18:28 · 
beber um copo dágua, 
pra refrescar no calor 
e matar a sede, 
ir até o lago, 
pra banhar o corpo, 
e conversar com peixes, 
água limpa e cristalina 
da fonte mais pura, 
olho dágua que brota 
de dentro da pedra, 
jorra do alto do monte 
e desce de encontro ao mar, 
água maravilha 
cachoeira que se queda 
sobre minha alma, 
água benta 
em placenta de vida, 
água em cada poro da pele, 
da boca o hálito quente, 
da chuva torrente das nuvens, 
os mares onde água é sopa 
feita de tudo, de pedra, sal, 
terra, bichos, árvores, 
água alegria da praia 
em domingo de sol, 
mar pra dar um tchibum 
é fundamental, 
o último a dar um mergulho 
é mulher do padre, 
um dois três partiu 
__ salve salve!!
_____________________________

Alexandre Durratos
30 de janeiro às 03:59 · 
cansei de falar da água da bica, 
da geosmina que mina das algas, 
cansei de falar impropérios 
que correm dos despejos 
de volta pra casa, 
cansei de falar dos canudos 
que entopem a barriga das tartarugas, 
e também cansei de falar dos plásticos 
que circulam vermelhos 
nas veias sanguíneas das baleias, 
não direi que a vida é bela, 
não direi que a água é limpa, 
sei que a mãe não dorme tranquila, 
vendo as louças sujas 
empilhadas na pia, 
a casa virada de ponta a cabeça, 
a sereia se enche de pílulas, 
aos prantos pergunta: 
"aonde foi que eu errei", 
ontem 
abusaram estupraram xingaram
cuspiram no prato onde comem, 
eram filhos, todos homens, 
o incesto por desvario, 
a violência diária, 
os tormentos são vários, 
mas vejam os brinquedos, os filmes, 
os video-games, o futebol aos domingos, 
fábulas vazias 
rasgam os mitos primordiais 
onde a gestação 
foi promessa bonita, 
plena de fertilidade, 
colo morno, água limpa, 
uma ilha longínqua 
onde eram todos iguais... 
_____________________________

_____________________________
_____________________________

A Peixa - 2018 
_____________________________
_____________________________
!!__Berenice Xavier__!! - Título: O COREAU CORRE DO IBUGUAÇU PARA O COLO DE IEMANJÁ
IARA, MÃE D’AGUA GRANDE 
**via: in-box 
"
Água encantada, encanta, desencanta, encarna, desencarna.
Vive. Morre. Redime. Vivifica. Deusa. Psssiu...
O Coreau corre aqui ó! 
O Coreau é acidente geográfico e também invenção minha. Memória, mentira, poesia. Possuo o Coreau, ele me possui. 
O Coreau vive no ancestral, vasto, rico domínio, o Ibuguaçu, Terra Grande. Atravessa serranias, sertões, manguezais, carnaubais, pedregulhos, areais, praias a perder de vista.
Me atravessa. Se espalha pelo Atlântico até a África.
Pulo, me alastro, me espicho, vejo, ouço, sinto. Vem vindo. 
Iemanjá chega. Presente. Chegada, chegando desde sempre.
Corpo pão. Sangue água. Eu rio. Rio eu. 
O Coreau corre aqui, ó. 
Corro, empoço, seco, condenso, chovo, rio, morro. Sou periódica como o Coreau. 
Seca. Caminho de pedra, quente, queima os pés da gente.
Chove muito, correnteza doida, leva tudo para o mar.
Água. Mãe d’Água. Iara. Iemanjá. 
Virgem Maria. Minha Nossa Mãe de Deus.
Ave. Salve. Axé. Evoé.
O Coreau corre aqui, ó. 
Cruz. Credo. Espada. Espelho. 
Seco ou cheio. Entro nele. Ele em mim. 
Água morna por cima, fria por baixo. Nua.
Nado entre a Cruz e o Credo. 
Sensual sonora água! Me lambe toda, me acalma.
Nado entre a Cruz e a Espada.
Lembro. Conto. Não lembro, invento e conto. 
Nado entre a Cruz e o Espelho.
O Coreau corre aqui, ó. 
Aqui chove peixe. Na Piriquara, a Mãe d’Água me quer.
Ela me abraça, dança comigo no redemoinho fundo lindo. 
Rio rosado rodando. Portal da vivenda dela. 
Água encantada vou encantar a Encantada. 
Não quero sair, nem quero ficar aqui.
Caco azul no pé da pedra fincado no pé.
Ai minha Mãe do Céu, Santa Virgem Maria.
Mãe d’ Água me levando encantada. 
Cruz. Credo. Espada. Espelho.
Natureza não é dada à toa. 
Coisa ou pessoa, mesmo sendo boa, também atraiçoa.
O Coreau corre aqui, ó!
Histórias das pedras, das águas do rio eu.
Madrugadinha, pino do sol, entardecer.
Noite alta, escura ou enluarada. 
Alma penada vaga ri chora.
Vale de lágrimas. Salve Rainha!
Choro e rio à toa. 
O Coreau corre aqui, ó!.
Ouço o canto, o grito Tapuia, Tabajara, Tremembé.
Líquido valente, forte, quente. DNA da gente. 
"
_____________________________

Camila Santos
25 de janeiro de 2018 · 
Mar,
traz de volta o meu
Ar~
a vida
Vi passar~ 
agora Mar~
veio me encharcar
suas ondas
pelas minhas bordas
e eu não sei nadar
eu que sempre fui 
Ilha
agora quero ser seu 
Mar~
A
Vi
Da
traz de volta o meu 
Ar~
vi mar
vi marés
vi amar~
vi você me encharcar
minha oitava 
Maravilha
<Santos~
{maresia}

_____________________________
!!__Luiz In__!! - ACALANTO 
**via: in-box
"A chuva desliza em leito frouxo
toca a terra a beira das casas de taipa desses ermos onde terra quase não há há beiras e cigarros mascados
pinguelas e cãezinhos chorosos debaixo de pontes cambeiras
os sapos prolongam a rouquidão da noite 
e dia não há para os olhos acordarem febris como o sol 
as cores se exilaram e a imensidão é cinza 
as hortas afogam em prantos
haverá fome
quisera o rio se acometer da frouxidão dos leitos
inquieto, apruma o corpo com brabeza
grosso de barro até as tampas
lambe beiras e canelas
desdenha as margens e a solidão do que passa
surdo com seu rumor de animal enredado 
não espera o sol desvanecer-se de sua mortalha de frio 
corre reto deslizando nas curvas crispado de chuva e esperança vã vão será o mar de mil afagos e infinitos acalantos?
"

_____________________________
Camila Santos
27 de janeiro de 2018 · 
Mar de gente
à encharcar
Pedaço de Terra no seu
Mar
Pense no mar respira inspira até
abafar
Todos os sons ruídos de vida
Todo suspiro 
que lembre uma sina uma vida não vivida e
passado
Bem passado ainda presente 
Todo tiro que sai da boca da gente 
S•

_____________________________
Paulo Sérgio Kajal
30 de janeiro de 2018 · 
Rara coincidência de fenômenos astrais
Assim como eu 
Você surge do nada
e mergulha estranhamente no contrafluxo das marés
E atrai pra ti cardumes indefinidos
e de estranhas formas poligonais
Você circula pelo Cosmos
entre ondas intergalácticas
Parece peixe, mas é ser desconhecido
e ainda hoje inominável
guarda os segredos mais abissais
e dita os rumos dos acontecimentos meteorológicos
no espaço tempo de outras singularidades
você zela o templo aquoso da Iemanjá astronautica
você mora nas nuances
Cosmonauta dos mares sombrios
Você é e se assemelha a peixe
embora teu corpo astral denso
atravessa todos oe estados da natureza
e respira em cada sombra, em cada feixe, em cada luz
flutua onde nenhum corpo consegue repousar
nem entre a morte nem entre a vida
você mergulha para além de tudo
e desaparece

_____________________________
Ana Neves
30 de janeiro de 2018 · 
Ah! Que venha do mar
Ah! Que venha do mar
Todo o acalanto, 
todo o entendimento,
toda a tolerância
e toda a força pra lutar.
No fundo do mar tem mistérios que ninguém conhece,
o sangue e o suor das favelas, das guerras de cor
que os arranha-céus e o comércio esconderam dos olhos
mas as ondas que banham os pés não nos deixam esquecer.
Do fundo do mar vem o grito, afinado e rouco,
lamento que hoje é do samba a mais bela raiz
e a voz que ecoa é de reis, de rainhas, princesas,
refletidos nas nas ondas ligeiras, sagradas, de luz. 
Ana Neves

_____________________________
!!__ Luiz Coelho Medina __!!
"sempre que ele brincava de mar, ela não ía na onda..."

_____________________________
Viviane Rac Abrunhosa
31 de janeiro de 2018 · 
Poeira do mar é cristal mas nunca quebra
Molha os sentinelas
Acorda o que se pensava insone
Alvorada colorida
Amanhecer em aquarela.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
No meu espelho d'água
Verás tua natureza vil
Descobre a tua fera
E recua na caçada febril
Agora temes o que "já era"
Pensa enquanto espera
Um novo ciclo, uma nova era
Transforma teu perfil
Olhas de novo o espelho
E encontra teu semelhante
Não mais um embuste
Um.farsante
Somente a verdade
Sobre um mar azul anil.


_____________________________
!! Pedro Miranda __!! 
**na page: Poesia em 13 Calibres, dá 1 CURTIR lá!
"
Silêncio. 
O mar se move 
por dentro.

_____________________________
!!__ Eud Pestana Menestrel __!!
**via: Marko Andrade, que se recupere logo, axé! muito axé também pra quem partiu, grande Pestana... 
"
O mar não dorme 
por amar 
enorme.
"

_____________________________
!!__ Alexandre Andrei__!! - Aluvião
"
Iemanja que não abandona ou falha
que mostra o remanso corrego no mais rapido canal 
que salva a quem está preso no alçapão da malha
que acalma o turbilhão da vaga e amansa o temporal
Iemanjá, que a enxurrada do destino entalha 
para quem se afoga em magoa 
toda agua é feita de espelhos justapostos 
lado a lado inclinados tortos 
hidricas laminas que hora parecem um poliedro de gelo exato 
e no seguinte minuto o mais confuso em lascas 
faisca verde chispas azuis 
vidro que espera no fundo do poço 
certeza da macera escaler em que se vai e se esvai
lamentando a guelra retalhada 
porque ja cai de vazio 
o interior um paraiso enxarcado de horror 
onda enorme parada
é como a maré que se não escapa nem jura 
ou lisonja que remova o tanto sardonico 
não há esponja que absorva o mar
Iemanjá que dispa de espuma essa roupa que talha
ela que afunda ou poupa 
que una em lago o que era gota e cisalha
ela que torna inteira a carta nautica que estava rota 
Iemanjá para emergir da profundeza da mortalha
para quem submerge em apneia 
a pequena morte é uma torrente 
um ente sereia que canta ensopada e ardente 
o sexo intrincado dos polvos 
quem sabe 
se a mão quer encontrar o encanto da vagina 
ou o escoar do membro
um aquario apertado 
onde a arraia se esconde no lençol 
e o tubarão imerge e busca e o glacial vira vapor
hidrografia do desejo o arquejo à deriva 
deixando-se à correnteza naufrago 
que busca com a boca a cachoeira 
hidraulica canalizar o oceano afora 
um duto ventosa doida hidrofoba 
chupando cada pingo do freatico 
Iemanjá que se agrade da refrega da batalha
cubra de conchas as pedras da praia 
faça surgir um atol de coral num escarpado de muralha
um hipocampo do ziper da calça e uma concha do fecho da saia
Iemanjá para trazer à tona e secar a salina do suor em doce toalha
para quem mergulha em solidão 
navegar é um barco só de ancoras 
e a vela é o que se incendeia por medo à escuridão 
a chuva alaga em torrentes 
nenhum balde a contem 
e a palafita se desfaz em humidade e infiltração
nuvens de desditas assim densas 
que peixes nadam como em liquido 
nenhum fluido é potavel nada é polido
pescar no cais do porto 
ou nos poças do molhe 
olhar de soslaio aos passageiros de longe 
ao desmonte do cargueiro 
queria um maremoto e nada 
em represa queria se banhar na tempestade 
e inunda em pingos sede rede afluente
Iemanjá que traga peixes em cardume a quem tem fome de migalhas
retire o dreno aumente o fluxo
que dê a corredeira que cascalha
que sopre o empuxo
Iemanjá que amorosa deposite no rodamoinho que espalha 
Iemanja que me valha
que redima a vítima
retire-me do anzol e da cangalha
que seque minha lagrima 
Iemanjá, a que me agasalha
"

_____________________________
!!__ Raphaela Del Pino __!! 
- "Escrevi esse poema na praça da Ilha de Itamaracá, pensando Nela. Minha Senhora Yemanjá, minha Mãe, meu amor maior!!!"
"
Eu sou sereia.
É da água salgada
que é feito meu corpo.
É água salgada
que dele transborda.
Eu sou sereia.
É nas ondas do mar
que encontro morada,
nos braços de minha Mãe amada,
meu cabelo é de algas,
meus olhos, areia.
Eu sou sereia.
O mar é minha estrada, 
as ondas meu coração,
sorrio na lua cheia,
sopro de vento vagueia,
do mar eu não saio não.
Água salgada é meu chão.
Odoyá, minha Rainha!!!
"

_____________________________
!!__ KAFKA __!! - (in) O silêncio das sereias
**via: Vê Barbosa
"Mas as sereias tem uma arma mais terrível que seu canto: seu silêncio."
.

_____________________________
Alexandre Durratos
30 de janeiro de 2018 · 
dentro do coração 
ainda pulsa esse rio 
momentos quentes 
enquanto ainda somos 
sorrisos 
e beijos 
de virar os olhos 
desejos sinceros 
em abraços profundos 
e desvarios 
nossos corpos 
e poder escorrer 
os dedos 
em seus cabelos 
e beijá-los 
me perder 
em perfumes de flores 
escorrer 
entre os leitos 
e a sombra das árvores 
mergulhar 
em seu ventre 
nossos filhos 
deslizar ondulante 
dessas águas 
correntes 
onde brilham 
nos seixos 
nos peixes 
orvalhos no ar 
e fonte d'águas claras 
meu peito 
de encontro 
ao calor 
dos seus seios 
onde mais uma vez 
dormiremos 
e amanheceremos 
suaves 
serenos 
como se o encanto 
desse rio 
fosse 
nosso brilho 
pra sempre...

_____________________________
Alexandre Durratos
por navegar os sete mares 
atrás de migalhas 
no mapa 
desde aventuras 
com monstros marinhos 
no reino de Atlândida 
do mito então a ciência 
arredondando a terra plana 
fez-se o estreito de gibraltar 
o cabo da boa esperança 
ao botar a nau 
em mares 
nunca dantes navegados 
fez-se a construção 
da fé 
em 
Nossa Senhora dos Navegantes 
- e daí pra frente 
o que juntou-se foi gente! 
do sino da igreja ao adro 
do sangue celta ao visigodo 
dos romanos aos bárbaros 
dos judeus aos moçárabes 
andaluz após a peste 
Al Ush Bona então Lisboa 
onde as melhores mulheres 
dançavam pra são gonçalo 
onde os piores templários 
sapateavam na cruz 
surgiram do caos 
pra brilhar em hollywood 
jesuítas falantes 
de mil línguas 
agora em cartaz 
nos melhores 
cinemas e teatros 
onde exibe-se 
com garbo 
a conquista 
ao redor do mundo... 
- que lindo! 
é aquela conversa 
de ficar 
sempre de frente 
pro mar 
e deixar a favela 
nas costas: 
a costa da mina 
a costa do ouro 
costa do marfim 
onde tem sabão 
e pano-da-costa 
donde veio aquele samba 
na cadência como você gosta 
e o amigo do peito? 
- o seu costa! 
que tal um chá de canela 
da índia? 
bora bater um papinho! 
tem moela e pé de galinha 
cachaça braba em boteco 
não corre pra rua, menino! 
que do nada 
o velho do saco 
passa e te leva! 
pra dar uma volta 
no mundo dos sonhos 
eram aqueles xibungos 
antes de África 
antes de tudo 
era uma vez um navio 
que sonhou El Dorado 
El Dorado sonhado: 
um brasil 
uma brasa na mata 
um retalho na terra 
e uma princesa 
presa na torre 
a sonhar com as vestes 
rubras da côrte 
a lei áurea 
feita a cortes 
de pau-brasil... 
dos sonhos aos horizontes
então inventou-se 
uma carta 
primeiro: 
uma carta de amor... 
depois inventaram 
muitas cartas 
a carta náutica 
o tratado de tordesilhas 
o grito de independência 
a carta de alforria 
então surgiu o email 
computador, celular 
e o boleto bancário
para pagamento de débito 
a dívida externa 
a falta de grana 
o governo de golpes 
e viver a vida 
entre a guerra e o tédio... 
- que saco! 
é como a curimba já disse: 
vale o que estiver escrito 
nos cauris jogados no ifá 
nas flores jogadas pra Iemanjá 
e ritos e danças 
que de nada valem 
sem credo 
...eram cartas no tempo 
como eram lidas 
no vôo das andorinhas 
no bucho dos cabritos 
na quiromancia das ciganas 
como são augúrios antigos 
leituras para adivinhos 
e estes já diziam 
do paraíso perdido 
da sorte a contrapelo 
o buraco da agulha 
onde não passa camêlo 
o pior: 
foi o cisco maldito 
que caiu no olho 
de Pero Vaz de Caminha 
quando gritou 
"terra a vista!" 
...bateu um frio na espinha 
uma corrida pras matas 
e aquilo era só o começo... 
pois naquele alegre momento 
um festival de regatas 
pros índios 
já era indício: 
de que 
a maré não está pra peixe 
e de que 
o mar não tem cabelos...

_____________________________
_____________________________

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Rat-Reú 2026 - Ata 3

Poesia Dois Dois 2023

Poesia Pra Dois Dois (2)