A.PEIXA 2023 - poesia
NÃO É FANZINE, imprimir apenas uma leva desses poemas, não tive cabeça para editar, tem o anexo [mesma coisa] que está num arquivo "blloco de notas", é isso - beijos
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Thiago Mathias
Os pés descalços de unhas por fazer
Não veem a hora de sair do asfalto quente
Pra pisar no areia quente
Sabendo que as águas geladas do mar lhe esperam
Pés ressecados com frieiras
Cansados da labuta da bota EPI
Aquela que incomoda
Quanto mais se aproxima do mar
Mais tem alento
Quando o mar se aproxima do mar
Mais sabe que a proteção vem das águas
De orixá poderosa
Rainha das cabeças entregues em bandejas de prata
Pra tubarões famintos
Rainha das caudas das sereias e tritões
Protetora dos mares
Dançarina das marés
Alegria de quem atravessa a última encruzilhada
Chegando perto
Sentindo a brisa salgada
Vislumbrando o jacaré
Nem tão fã de água assim
Mas firme no propósito
De renovar tudo de ruim do dia
Tem sol ainda
Mate, biscoito globo
Milho, picolé e açaí
E a certeza da proteção
Que sempre estará ali
- Iemanjá fornece o melhor creme para os pés do mercado de peixes
Dife
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VIVI RAC
A sétima onda no horizonte.
Oh mãe! Me embala na sua água, salgada e quente. Me guarda e conduz, seja minha guia referente, mesmo ou principalmente quando eu for puxada por uma corrente mais profunda e fria, exatamente aquela que eu não queria.
Me guarda com teus espelhos, que mostram o caráter auto referente. Me mostra o que é ser gente.
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Poesia - 22/07/21
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LUIZ VAILLANTES
e outro pro A.PEIXA 2022
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Suspensão da realidade
O passeio de barco foi maravilhoso, barco emprestado, guiado na intuição, com direito a parada junto às ilhas cagarras, me cagando de medo da guarda costeira me pedir documentos.
Sorte que um amigo pescador me passou o básico das correntes marinhas e dos ventos de hoje, tive tempo de ancorar, olhar e olhar, falar e ouvir, e tudo estava perfeito entre eu e ela, mesmo nada tendo acontecido, afinal amor as vezes se expressa na distância do possível, pressa as vezes atrapalha tudo.
Quando voltamos ela me abraçava pelas costas enquanto eu guiava o barco e encostou seu rosto no meu ombro e me falava que era o melhor dia da sua vida e eu só ria e água salgada descia dos olhos, pois perfeito era ali estar.
Quando ancorei perto da Ilha onde moro foi que tudo desandou. Os ventos, antes serenos, começaram a uivar enquanto desembarcávamos, e uma nuvem de poeira de barro e areia nos deixou às cegas.
No afã de amarrar o barco para que ele não se perdesse, soltei a mão dela por um instante e não pude mais encontrá-la.
Gritei por ela, mas o vendaval gritava mais alto, com toda a fúria da natureza.
Corri pra achá-la, mas o vendaval dominou meus pés e me fez de marionete.
Chorei de medo, mas dos meus olhos escorreram rios de lama.
Sentei quieto, esperando o fim do fim do mundo e quando o vendaval passou ela não estava mais em nenhum lugar à vista.
Quando perguntei por ela na ilha descobri que ninguém a tinha visto, até mesmo a pessoa que a apresentou a mim me disse não conhecer ninguém como ela.
No fim das contas eu concluí que ou ela abraçou o saci e meteu o pé ou voltou pro mar pra junto das sereias de onde ela deve ter vindo.
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ODOOYÁ!
de: Jorge Amâncio
Seu vestido
rodopia
a voz do mar.
O corpo
ondula
o ar dança.
Guarda
conchas e pedrinhas,
na porcelana azul.
No branco da mesa
pato peixe canjica,
oferendas à rainha.
Na África
mulher de Oxalá.
Saíram de Inaê
Olokun Oxóssi Xangô Oxum.
Mãe dos seios úmidos
uma sereia
rainha do mar
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em blog
“Laboratório de Criação Poética”
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Geise Gênesis
Despertei e ainda era noite
Era dia dela
Ela que sempre recebe meu pranto
A serei que canta e me abraça
E que mora no mar
Vesti roupa branca
Pus água de cheiro
Flor no cabelo
Caminhei até sua casa
Para lhe saudar
Odoyá
Parece que eu ainda sonhava
O sol saindo da água
A peixa saltando no ar
Silêncio de lágrima prateada
Joguei as flores pra ela
E chorei minha vida inteira
Ela me estendeu os braços
No abraço de mãe d'agua
Chorei minha vida inteira
E como se não bastasse
Chorei a vida de todos
Os meus amigos
A poluição dos rios
O desmatamento das matas
Chorei todo lixo na imensidão
Das águas salgadas
E como se já não bastasse
Chorei nosso esquecimento
E a falta de cuidado
Chorei a solidão da humanidade
O desamparo da civilização
Mergulhei, mergulhei
No mar de amor
Para curar
Graças!
Yemanjá que
não tem medo
De se dar
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+ 110 linhas
A PEIXA - poema 1
**poema para agradecer a existência da PEIXA _magia estar com tanta beleza nesse dia, com essa gente _salve Iemanjá, seus mistérios sobre nós, odoyá!!
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majestosa é a peixa
quando rouba o ar dos incautos
com bailados que ocorrem
às vistas
cardumes aos saltos
colares, brincos, brilhos
de uma beleza profunda
moças
em seus vestidos rodados
danças aos giros
de sensações ondulantes
umbigadas de fertilidade
em samba de roda
é quando
espalham perfumes
baita encanto aos olhos
é de chorar
em gotas de vidros
pequenos diamantes
escorridos na face
como orvalhos
em flores incertas
se há deslumbre por dentro
são suspiros
quando se formam as nuvens
na brevidade do espanto
se há na mensagem sonora
sinfonia no mar
também são espumas
quando bailam
e se divertem
e se exibem ao sol
enquanto refletem essa luz
misturando-se ao vento
e nesse barulho de ondas
está guardada uma voz!
que pede coragem
para estar por inteiro
no momento exato
uma cachoeira
em que há sobressalto
e se faz água pura
aos lábios
da deusa
esta que nada exige
senão partilhar energia
a magia do encontro
serenidade inscrita
na troca de abraços
para além de imprecisos olhares
embaçamentos
espelhos foscos
esforços
para assumir alguns medos
como enfrentamentos aflitos
encarar as ondas
tormentas estranhas
e necessárias entregas
se essas ainda despertam
abundantes sorrisos
no rasgo da face
se essas ainda devolvem ao mar
a vivência do enigma
- uma única lágrima basta!
e já surgem outras
danças no cosmos
se essas integram
e completam
os sentidos da alma
como cores espessas
para além da pintura
das tintas, pincéis
superfícies fáceis
para composições surreais
em narrativas do cotidiano
- maiores serão os mistérios
numa tela abstrata
retratos em movimento
paisagem indomável
talvez a dádiva
a invenção de universos
centenas de estrelas
em pontos no céu
por caminhos distantes
trilhas feitas de ritos
ritmos, assombros, mistérios
milhões de maravilhamentos
em revelações surpreendentes
de mergulhos profundos
onde o deslumbre do mundo
ainda instiga uma reza
uma entrega
o que integra
o que intriga
como a existência concreta
do mito.
- foi preciso ter vivido
vida viva a navegar
na intensidade dos signos
mar onírico, sonhos
o despertar das vagas
lembranças revôltas
de um baile sublime
em danças de fertilidade
remelexo de tudo
pra agrado da PEIXA
mãe dos mares
rainha das águas
jorro das fontes
e o que fica
é o toque suave
das ondas:
poemas escritos
como tatuagens marinhas
impressas na pele
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. - A.PEIXA 2018
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Raphaela Del Pino
Amor do mar * Aquele que não se doma
De madrugada
O mar canta mais forte.
Pensava, enquanto as ondas
Batiam na beira da praia e
Nela, dentro.
Cheia de espumas,
Ouvia o farfalhar das areias
Enquanto acariciava o corpo,
Num banho de águas doces,
Sua alma, salgada.
O som que soava das marés
Inundava o corpo inteiro,
Entre baião e xote,
Partido alto e pagode,
150 bpm e funk antigo.
Era um ir e vir,
Acelerar e acalmar.
Calmaria era coisa da alma,
Feita do sal dos oceanos,
Pensava, penteando os cabelos,
Seus.
Dela.
Ela era toda de brilho das conchas,
Perfume das luas,
Caminhos dos mares.
E ela, era toda da Sereia que cantava
No mar,
Mais forte,
Na madrugada.
Era, ela, da lua cheia,
E Dela, seria,
Nua,
Porque não carecia de mais nada.
Agradecia.
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Claudia Tonelli
onde se vê nuvem
sou água viva
a queimar peles
quando nuvem
torno-me chuva
fluida, água-viva
a lavar dores.
_ciclotimia_
Claudia Tonelli
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Alexandre Durratos
28 de janeiro às 18:28 ·
beber um copo dágua,
pra refrescar no calor
e matar a sede,
ir até o lago,
pra banhar o corpo,
e conversar com peixes,
água limpa e cristalina
da fonte mais pura,
olho dágua que brota
de dentro da pedra,
jorra do alto do monte
e desce de encontro ao mar,
água maravilha
cachoeira que se queda
sobre minha alma,
água benta
em placenta de vida,
água em cada poro da pele,
da boca o hálito quente,
da chuva torrente das nuvens,
os mares onde água é sopa
feita de tudo, de pedra, sal,
terra, bichos, árvores,
água alegria da praia
em domingo de sol,
mar pra dar um tchibum
é fundamental,
o último a dar um mergulho
é mulher do padre,
um dois três partiu
__ salve salve!!
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Alexandre Durratos
30 de janeiro às 03:59 ·
cansei de falar da água da bica,
da geosmina que mina das algas,
cansei de falar impropérios
que correm dos despejos
de volta pra casa,
cansei de falar dos canudos
que entopem a barriga das tartarugas,
e também cansei de falar dos plásticos
que circulam vermelhos
nas veias sanguíneas das baleias,
não direi que a vida é bela,
não direi que a água é limpa,
sei que a mãe não dorme tranquila,
vendo as louças sujas
empilhadas na pia,
a casa virada de ponta a cabeça,
a sereia se enche de pílulas,
aos prantos pergunta:
"aonde foi que eu errei",
ontem
abusaram estupraram xingaram
cuspiram no prato onde comem,
eram filhos, todos homens,
o incesto por desvario,
a violência diária,
os tormentos são vários,
mas vejam os brinquedos, os filmes,
os video-games, o futebol aos domingos,
fábulas vazias
rasgam os mitos primordiais
onde a gestação
foi promessa bonita,
plena de fertilidade,
colo morno, água limpa,
uma ilha longínqua
onde eram todos iguais...
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A Peixa - 2018
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!!__Berenice Xavier__!! - Título: O COREAU CORRE DO IBUGUAÇU PARA O COLO DE IEMANJÁ
IARA, MÃE D’AGUA GRANDE
**via: in-box
"
Água encantada, encanta, desencanta, encarna, desencarna.
Vive. Morre. Redime. Vivifica. Deusa. Psssiu...
O Coreau corre aqui ó!
O Coreau é acidente geográfico e também invenção minha. Memória, mentira, poesia. Possuo o Coreau, ele me possui.
O Coreau vive no ancestral, vasto, rico domínio, o Ibuguaçu, Terra Grande. Atravessa serranias, sertões, manguezais, carnaubais, pedregulhos, areais, praias a perder de vista.
Me atravessa. Se espalha pelo Atlântico até a África.
Pulo, me alastro, me espicho, vejo, ouço, sinto. Vem vindo.
Iemanjá chega. Presente. Chegada, chegando desde sempre.
Corpo pão. Sangue água. Eu rio. Rio eu.
O Coreau corre aqui, ó.
Corro, empoço, seco, condenso, chovo, rio, morro. Sou periódica como o Coreau.
Seca. Caminho de pedra, quente, queima os pés da gente.
Chove muito, correnteza doida, leva tudo para o mar.
Água. Mãe d’Água. Iara. Iemanjá.
Virgem Maria. Minha Nossa Mãe de Deus.
Ave. Salve. Axé. Evoé.
O Coreau corre aqui, ó.
Cruz. Credo. Espada. Espelho.
Seco ou cheio. Entro nele. Ele em mim.
Água morna por cima, fria por baixo. Nua.
Nado entre a Cruz e o Credo.
Sensual sonora água! Me lambe toda, me acalma.
Nado entre a Cruz e a Espada.
Lembro. Conto. Não lembro, invento e conto.
Nado entre a Cruz e o Espelho.
O Coreau corre aqui, ó.
Aqui chove peixe. Na Piriquara, a Mãe d’Água me quer.
Ela me abraça, dança comigo no redemoinho fundo lindo.
Rio rosado rodando. Portal da vivenda dela.
Água encantada vou encantar a Encantada.
Não quero sair, nem quero ficar aqui.
Caco azul no pé da pedra fincado no pé.
Ai minha Mãe do Céu, Santa Virgem Maria.
Mãe d’ Água me levando encantada.
Cruz. Credo. Espada. Espelho.
Natureza não é dada à toa.
Coisa ou pessoa, mesmo sendo boa, também atraiçoa.
O Coreau corre aqui, ó!
Histórias das pedras, das águas do rio eu.
Madrugadinha, pino do sol, entardecer.
Noite alta, escura ou enluarada.
Alma penada vaga ri chora.
Vale de lágrimas. Salve Rainha!
Choro e rio à toa.
O Coreau corre aqui, ó!.
Ouço o canto, o grito Tapuia, Tabajara, Tremembé.
Líquido valente, forte, quente. DNA da gente.
"
_____________________________
Camila Santos
25 de janeiro de 2018 ·
Mar,
traz de volta o meu
Ar~
a vida
Vi passar~
agora Mar~
veio me encharcar
suas ondas
pelas minhas bordas
e eu não sei nadar
eu que sempre fui
Ilha
agora quero ser seu
Mar~
A
Vi
Da
traz de volta o meu
Ar~
vi mar
vi marés
vi amar~
vi você me encharcar
minha oitava
Maravilha
<Santos~
{maresia}
_____________________________
!!__Luiz In__!! - ACALANTO
**via: in-box
"A chuva desliza em leito frouxo
toca a terra a beira das casas de taipa desses ermos onde terra quase não há há beiras e cigarros mascados
pinguelas e cãezinhos chorosos debaixo de pontes cambeiras
os sapos prolongam a rouquidão da noite
e dia não há para os olhos acordarem febris como o sol
as cores se exilaram e a imensidão é cinza
as hortas afogam em prantos
haverá fome
quisera o rio se acometer da frouxidão dos leitos
inquieto, apruma o corpo com brabeza
grosso de barro até as tampas
lambe beiras e canelas
desdenha as margens e a solidão do que passa
surdo com seu rumor de animal enredado
não espera o sol desvanecer-se de sua mortalha de frio
corre reto deslizando nas curvas crispado de chuva e esperança vã vão será o mar de mil afagos e infinitos acalantos?
"
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Camila Santos
27 de janeiro de 2018 ·
Mar de gente
à encharcar
Pedaço de Terra no seu
Mar
Pense no mar respira inspira até
abafar
Todos os sons ruídos de vida
Todo suspiro
que lembre uma sina uma vida não vivida e
passado
Bem passado ainda presente
Todo tiro que sai da boca da gente
S•
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Paulo Sérgio Kajal
30 de janeiro de 2018 ·
Rara coincidência de fenômenos astrais
Assim como eu
Você surge do nada
e mergulha estranhamente no contrafluxo das marés
E atrai pra ti cardumes indefinidos
e de estranhas formas poligonais
Você circula pelo Cosmos
entre ondas intergalácticas
Parece peixe, mas é ser desconhecido
e ainda hoje inominável
guarda os segredos mais abissais
e dita os rumos dos acontecimentos meteorológicos
no espaço tempo de outras singularidades
você zela o templo aquoso da Iemanjá astronautica
você mora nas nuances
Cosmonauta dos mares sombrios
Você é e se assemelha a peixe
embora teu corpo astral denso
atravessa todos oe estados da natureza
e respira em cada sombra, em cada feixe, em cada luz
flutua onde nenhum corpo consegue repousar
nem entre a morte nem entre a vida
você mergulha para além de tudo
e desaparece
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Ana Neves
30 de janeiro de 2018 ·
Ah! Que venha do mar
Ah! Que venha do mar
Todo o acalanto,
todo o entendimento,
toda a tolerância
e toda a força pra lutar.
No fundo do mar tem mistérios que ninguém conhece,
o sangue e o suor das favelas, das guerras de cor
que os arranha-céus e o comércio esconderam dos olhos
mas as ondas que banham os pés não nos deixam esquecer.
Do fundo do mar vem o grito, afinado e rouco,
lamento que hoje é do samba a mais bela raiz
e a voz que ecoa é de reis, de rainhas, princesas,
refletidos nas nas ondas ligeiras, sagradas, de luz.
Ana Neves
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!!__ Luiz Coelho Medina __!!
"sempre que ele brincava de mar, ela não ía na onda..."
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Viviane Rac Abrunhosa
31 de janeiro de 2018 ·
Poeira do mar é cristal mas nunca quebra
Molha os sentinelas
Acorda o que se pensava insone
Alvorada colorida
Amanhecer em aquarela.
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No meu espelho d'água
Verás tua natureza vil
Descobre a tua fera
E recua na caçada febril
Agora temes o que "já era"
Pensa enquanto espera
Um novo ciclo, uma nova era
Transforma teu perfil
Olhas de novo o espelho
E encontra teu semelhante
Não mais um embuste
Um.farsante
Somente a verdade
Sobre um mar azul anil.
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!! Pedro Miranda __!!
**na page: Poesia em 13 Calibres, dá 1 CURTIR lá!
"
Silêncio.
O mar se move
por dentro.
"
_____________________________
!!__ Eud Pestana Menestrel __!!
**via: Marko Andrade, que se recupere logo, axé! muito axé também pra quem partiu, grande Pestana...
"
O mar não dorme
por amar
enorme.
"
_____________________________
!!__ Alexandre Andrei__!! - Aluvião
"
Iemanja que não abandona ou falha
que mostra o remanso corrego no mais rapido canal
que salva a quem está preso no alçapão da malha
que acalma o turbilhão da vaga e amansa o temporal
Iemanjá, que a enxurrada do destino entalha
para quem se afoga em magoa
toda agua é feita de espelhos justapostos
lado a lado inclinados tortos
hidricas laminas que hora parecem um poliedro de gelo exato
e no seguinte minuto o mais confuso em lascas
faisca verde chispas azuis
vidro que espera no fundo do poço
certeza da macera escaler em que se vai e se esvai
lamentando a guelra retalhada
porque ja cai de vazio
o interior um paraiso enxarcado de horror
onda enorme parada
é como a maré que se não escapa nem jura
ou lisonja que remova o tanto sardonico
não há esponja que absorva o mar
Iemanjá que dispa de espuma essa roupa que talha
ela que afunda ou poupa
que una em lago o que era gota e cisalha
ela que torna inteira a carta nautica que estava rota
Iemanjá para emergir da profundeza da mortalha
para quem submerge em apneia
a pequena morte é uma torrente
um ente sereia que canta ensopada e ardente
o sexo intrincado dos polvos
quem sabe
se a mão quer encontrar o encanto da vagina
ou o escoar do membro
um aquario apertado
onde a arraia se esconde no lençol
e o tubarão imerge e busca e o glacial vira vapor
hidrografia do desejo o arquejo à deriva
deixando-se à correnteza naufrago
que busca com a boca a cachoeira
hidraulica canalizar o oceano afora
um duto ventosa doida hidrofoba
chupando cada pingo do freatico
Iemanjá que se agrade da refrega da batalha
cubra de conchas as pedras da praia
faça surgir um atol de coral num escarpado de muralha
um hipocampo do ziper da calça e uma concha do fecho da saia
Iemanjá para trazer à tona e secar a salina do suor em doce toalha
para quem mergulha em solidão
navegar é um barco só de ancoras
e a vela é o que se incendeia por medo à escuridão
a chuva alaga em torrentes
nenhum balde a contem
e a palafita se desfaz em humidade e infiltração
nuvens de desditas assim densas
que peixes nadam como em liquido
nenhum fluido é potavel nada é polido
pescar no cais do porto
ou nos poças do molhe
olhar de soslaio aos passageiros de longe
ao desmonte do cargueiro
queria um maremoto e nada
em represa queria se banhar na tempestade
e inunda em pingos sede rede afluente
Iemanjá que traga peixes em cardume a quem tem fome de migalhas
retire o dreno aumente o fluxo
que dê a corredeira que cascalha
que sopre o empuxo
Iemanjá que amorosa deposite no rodamoinho que espalha
Iemanja que me valha
que redima a vítima
retire-me do anzol e da cangalha
que seque minha lagrima
Iemanjá, a que me agasalha
"
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!!__ Raphaela Del Pino __!!
- "Escrevi esse poema na praça da Ilha de Itamaracá, pensando Nela. Minha Senhora Yemanjá, minha Mãe, meu amor maior!!!"
"
Eu sou sereia.
É da água salgada
que é feito meu corpo.
É água salgada
que dele transborda.
Eu sou sereia.
É nas ondas do mar
que encontro morada,
nos braços de minha Mãe amada,
meu cabelo é de algas,
meus olhos, areia.
Eu sou sereia.
O mar é minha estrada,
as ondas meu coração,
sorrio na lua cheia,
sopro de vento vagueia,
do mar eu não saio não.
Água salgada é meu chão.
Odoyá, minha Rainha!!!
"
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!!__ KAFKA __!! - (in) O silêncio das sereias
**via: Vê Barbosa
"Mas as sereias tem uma arma mais terrível que seu canto: seu silêncio."
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Alexandre Durratos
30 de janeiro de 2018 ·
dentro do coração
ainda pulsa esse rio
momentos quentes
enquanto ainda somos
sorrisos
e beijos
de virar os olhos
desejos sinceros
em abraços profundos
e desvarios
nossos corpos
e poder escorrer
os dedos
em seus cabelos
e beijá-los
me perder
em perfumes de flores
escorrer
entre os leitos
e a sombra das árvores
mergulhar
em seu ventre
nossos filhos
deslizar ondulante
dessas águas
correntes
onde brilham
nos seixos
nos peixes
orvalhos no ar
e fonte d'águas claras
meu peito
de encontro
ao calor
dos seus seios
onde mais uma vez
dormiremos
e amanheceremos
suaves
serenos
como se o encanto
desse rio
fosse
nosso brilho
pra sempre...
_____________________________
Alexandre Durratos
por navegar os sete mares
atrás de migalhas
no mapa
desde aventuras
com monstros marinhos
no reino de Atlândida
do mito então a ciência
arredondando a terra plana
fez-se o estreito de gibraltar
o cabo da boa esperança
ao botar a nau
em mares
nunca dantes navegados
fez-se a construção
da fé
em
Nossa Senhora dos Navegantes
- e daí pra frente
o que juntou-se foi gente!
do sino da igreja ao adro
do sangue celta ao visigodo
dos romanos aos bárbaros
dos judeus aos moçárabes
andaluz após a peste
Al Ush Bona então Lisboa
onde as melhores mulheres
dançavam pra são gonçalo
onde os piores templários
sapateavam na cruz
surgiram do caos
pra brilhar em hollywood
jesuítas falantes
de mil línguas
agora em cartaz
nos melhores
cinemas e teatros
onde exibe-se
com garbo
a conquista
ao redor do mundo...
- que lindo!
é aquela conversa
de ficar
sempre de frente
pro mar
e deixar a favela
nas costas:
a costa da mina
a costa do ouro
costa do marfim
onde tem sabão
e pano-da-costa
donde veio aquele samba
na cadência como você gosta
e o amigo do peito?
- o seu costa!
que tal um chá de canela
da índia?
bora bater um papinho!
tem moela e pé de galinha
cachaça braba em boteco
não corre pra rua, menino!
que do nada
o velho do saco
passa e te leva!
pra dar uma volta
no mundo dos sonhos
eram aqueles xibungos
antes de África
antes de tudo
era uma vez um navio
que sonhou El Dorado
El Dorado sonhado:
um brasil
uma brasa na mata
um retalho na terra
e uma princesa
presa na torre
a sonhar com as vestes
rubras da côrte
a lei áurea
feita a cortes
de pau-brasil...
dos sonhos aos horizontes
então inventou-se
uma carta
primeiro:
uma carta de amor...
depois inventaram
muitas cartas
a carta náutica
o tratado de tordesilhas
o grito de independência
a carta de alforria
então surgiu o email
computador, celular
e o boleto bancário
para pagamento de débito
a dívida externa
a falta de grana
o governo de golpes
e viver a vida
entre a guerra e o tédio...
- que saco!
é como a curimba já disse:
vale o que estiver escrito
nos cauris jogados no ifá
nas flores jogadas pra Iemanjá
e ritos e danças
que de nada valem
sem credo
...eram cartas no tempo
como eram lidas
no vôo das andorinhas
no bucho dos cabritos
na quiromancia das ciganas
como são augúrios antigos
leituras para adivinhos
e estes já diziam
do paraíso perdido
da sorte a contrapelo
o buraco da agulha
onde não passa camêlo
o pior:
foi o cisco maldito
que caiu no olho
de Pero Vaz de Caminha
quando gritou
"terra a vista!"
...bateu um frio na espinha
uma corrida pras matas
e aquilo era só o começo...
pois naquele alegre momento
um festival de regatas
pros índios
já era indício:
de que
a maré não está pra peixe
e de que
o mar não tem cabelos...
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