Sarau de Bárbara 22

Zine de Bárbara 22  

Dona do sopro ao norte

Seu caminho é topázio 
Ladrilho diamantes
O seu olho é  de jaspe
Na brisa doravante 
Sua pedra de raio
Nas sendas de cascalho
Na mata verde jade
Seu sentido anti horário 
Vento sopra bastante

Deusa da zona norte
Dos tormentos primários 
Da chuva mais pesada
Sobre os prédios, telhados
Sobre o tédio 
E o vazio
No destino inconstante 

Dona da zona norte
Nos subúrbios errantes
Lança dardos de fogo
Rompe telas de chumbo
Incinera carvalhos
E a paixão dos amantes

Dona da zona norte
Das lanças mais flamejantes 
Atravessa os caminhos
E as correntes dos rios
O amanhã será ontem
O amanhã será  hoje
E o seu tempo é tão único 
Seu tempo é duplo
Seus tempos são  vários 
Baila exuberante
No sonhar delirante
Do poeta ordinário 

Paulo Sérgio Kajal  
V_E_N_T_O
/
T


Vento que passa e limpa
Espiro  novas lidas
Nada fica parado
Trânsito contínuo
O vento faz arado
Vento que passa e gela
Trás oxigênio de uma nova era. 

Vivi RAC  

Ineditado

Se o vento venta!

Então “Eu” vento!

Se o vento venta!

Então “Eu” vento!

Assobia que o vento vem!

Assobia que o vento chama!

Assobia que o vento vem!

Assobia que o vento chama!

 

Meus pés estão presos neste cimento.

Quero partir para o firmamento.

Vivendo o caos...

Gozando dentro...

Vivendo o caos...

Gozando dentro...

 

Assobia que o vento vem!

Assobia que o vento chama!

Se o vento venta!

Então “Eu” vento!

Se o vento venta!

Então “Eu” vento!

 


Raphael Gerardo Morais de Oliveira

Roberto Portela

Edimar Sampaio Gonçalves 

Teresina, capital do Piauí, em algum dia de loucura no sagrado calendário cristão que marcava o ano de 2011!  
Eparrei Oiá!

Bárbara
Senhora dos Raios
Sem a maldade do efeito
Da Espada da Justiça
Sem degola dos injustos
Pois sua misericórdia é grande

Bárbara
Rainha dos Trovões
Reina na justiça
Sem atiçar a discórdia
Sua riqueza é a fé
Dos que a adoram
E na paz que comemoram o seu dia

Santa Bárbara
Do 4 de Dezembro
Dia de Festa na Matriz
Mãos postas e elevadas
Somos filhos pedindo Glória
Em seu Altar, ajoelhados.
O agradecimento não é retórica.

Salve nossa Rainha
Salve nossa Santa
Sua Espada é nossa Fé
Hoje faz história pela Divindade
Sua intercessão a pedido dos filhos
Tanto do Catolicismo ou do Espiritismo

Iansã... Eparrei Oiá!
Amém... Santa Bárbara!
Louvemos sua Santidade
Batemos cabeça para sua entidade
Na sua festa peço clemência
E que proteja todos nossos irmãos

Eparrei Oiá!  Amém!

Dário Omanguin Farias
 Poeta Ratos Di Versos
Jacaraípe, Serra – ES.
5 de Novembro de 2019. 
prece para yansãnta bárbara

oh, yansã, ilumine meus caminhos com o clarão de seus raíos, nos momentos de treva emocional e de tanto abandono social.

oh, santa bárbara, me retire da zona de conforto e arranque o véu dos esquemas ilusórios que tentam me cegar.

oh, yansã, sacie a sede de meu espírito errante, com suas águas e me ampare na maciez de seu colo acolhedor.

oh, santa bárbara, em sua determinação incorruptível, me ofereça um tanto de sua perseverança, pr'eu seguir na lida diária, driblando a insanidade.

oh, yansã, daqui posso sentir o seu sopro de vida, me enchendo os pulmões, refrescando minh'alma das tormentas do pensamento.

oh, santa bárbara, vigie as minhas decisões, e que na dúvida, possas me revelar o caminho já traçado.

oh, yansã, que o seu olhar sedutor refletindo volúpia e discernimento, me incendeie os sentidos e mantenha minha chama acesa, na cama e na rua.

oh, santa bárbara, soube de teu pranto e injustiça sobre seu corpo, clamo a ti o seu destemor, diante de possíveis algozes, nesse tempo de tanta covardia.

oh, yansã, que o seu poder pra ler as almas humanas, esteja presente quando alguém se aproximar, me oferecendo facilidades.

oh, santa bárbara, que a intenção dos seres se revele, em seus gestos falas, e qu'eu possa oferecer a medida exata de meu afeto.

oh, yansã, mantenha a harmonia entre ação e pensamento, e que a sorte jamais seja alheia ao meu sustento.

oh, yansãnta bárbara, de antemão, me retrato... não sei se sou merecedor de vossa proteção, mas diante dessa singela prece, que possas me oferecer, o que assim desejar...

eparrei, yansã!!

salve, santa bárbara!! 

Rogê Ferreira  
Bárbara 

Da faísca à chama
Me chame 

Quero também me hipnotizar
Com os ventos
Com os raios e relâmpagos 
Que alumiam o caminho 
Da minha andada infinita 
Pelos becos e vielas
Encruzilhadas da vida 

Quero também a sabedoria 
Para atravessar as ruas
Sem olhar pros lados
Apenas deixando a corrente de ar me guiar
Longe das correntes 
Que teimam em nos aprisionar 

Quero também a potência 
Do tornado encostando nas águas do mar
Pra aprender a navegar
No mar de hipocrisia de gente
Que teimam em nos criticar
Fazendo mil vezes pior 

Quero também o vermelho 
As velas acesas
Os rodopios no próprio eixo
O balançar do queixo
Mastigando as tristezas da existência 
Nessa cor tão pulsante 

Menina Bárbara
Mulher Iansã
Quero você ao meu redor
À noite e pela manhã 
Quero nosso melhor 

Dife 
.  

ARGONAUTA

 

a existência de deus é necessária 

a menos que se negue a evidência de atos de amor e de bondade ou que se esconda a ambivalencia sentida em quere-los

agora você os vê e logo não ou o contrario pois são tão trabalhosos fora do mostruario e das duas maneiras se sofre 

a menos que longe de toda prova que dispomos se decrete uma ordem no acaso como um vaso ao avesso feito de cacos

a festa maravilhosa resultando da combinação dela ausência, pisões no calo, salmonela na comida, timidez e resvalos

 

porem em invés lugar do amem

se deus fosse muitos

que outros potentados cuidassem de mares e maresia e divas pudessem realmente trazer de volta ao que antes se sentia

deidades pequenas ou mais baratas a cuidar das miudezas de cada coisa no incontavel em que se decompoe o dia a dia

resto que ficou de quando viajei fronteiras reais de montanhas e aprendi que um ente cuidava daquelas frutas estranhas

mesmo que incesto uma vez que botânica e a zoologia da inseminação mais tarde revelassem o parentesco das sementes 

se deus fosse a natureza

nem força nem onisciência  a totalidade que nos cerca e sua consciência estivesse simultânea no íntegro e na particula

voce o sente se diria ou o ressente e tenta modificar o que evidentemente não se pode senão a custo de preço muito caro

uma intangível substância de que tudo é formado na longa continuidade sem discrepancia que temos sob os olhos 

disse a flor ao monstro somos o recipiente de beleza assim como murmuraram ambos vôo e tombo sobre a leveza 

se deus fosse incompreenssivel

porque é o único modo honesto em que se vele àquilo que não se pode nomear aquele, nem quem, sequer como inefavel

a estrada certa com mapa e noite inteiros de cautela leva indiferente às coincidentes paralelas do prado e do desastre    

nenhuma palavra de língua morta vivente ou a ser alguma vez ouvida atingiriadefinir ao que não consegue ser descrito 

o acúmulo de vibrações sonoras, sendo nenhum a qualquer verdade mais comezinha, nunca captaria traduzir ao incomum  

se deus tivesse um inimigo

diferente e por esta razão oposto, que conquanto não alcançasse ao impossível de equivalente tivera o rosto do pecado

o doce gosto da tentação enchendo cada papila de nervo com o sabor da antecipação seguida do fruir do malfeito

antítese que prova por contraprova e oferece ou aparenta significar escolha entre a bem aventurança palpável e a eterea

a sério dilema que opõe o que se quer ao que se deseja enquanto os dois ofertam e escondem algemas de voluptuosidade  

se deus fosse o tempo 

o inconcebível simultâneo de passado e futuro num sempre agora e aqui eliminando a ilusão de puro livre arbitrio

um jogo em que houvesse de antemão qual resultado ainda que desconhecido,tornando inútil euforia ou furia

a esfera tendo por centro seus próprios infinitos pontos e a silhueta da circunferência construída pelas retas de seus raios

inconsequente tornado o elogio do sensato, fútil sinonimo de compenetrado, desinteresse a atitude cabível incontestavel  

se o poder de deus tivesse limitação

tal que desejando criar a rocha tão pesada que nem o seu império a levantasse,lhe fosse interdito proceder a um dos atos  

e ao contrário já que por variadas explicações o material é todo ilusório, por monta igual nosso pensamento tudo abarca 

tal que compusesse quatro vértices num triângulo ou alguma santíssima trindade, geômetra ou geometria jaziam baldados

em sua admitida limitação queda mais ilimitado o comum vivente sem interrogar-se com espanto ou assombro frustado

se deus tivesse criado outros universos 

por exemplo – nos é vedado imaginá-los – num deles não existia criador e ser supremo e noutro blásfemo havia morrido

as leis da física adquirindo o desatino do variado inumerável e qualquer ensino concorresse para o arbitrario  

ou em cogitação – nos é embargado projetá-los – este em que vivemos espelhasse com defeito ao perfeito genuíno e justo     

tornado cego sob o açoite de tanta intensa multicolorida luz cambaleio na noite escura incapaz de reconhece-la como dia 

se deus não nos julgasse 

sem atribuir preferencia ou importancia à nossa atividade em comparação à das pedras e plantas, imparcial por alheio

quanta prece e invocação em murmúrio suplice, litania devota, brados sinceros, tanta arefece mouca num ralo de silencio

seja que pronunciasse matizados vereditos de pena ou reencarnação a corresponder aos delitos com intento ou atenuante

o acaso jamais viesse tomado por milagre ou intervenção e sim reconhecido como azo da lei absoluta das probabilidades

 

porem ao inverso de imagem ou miragem

nem ateu nem crente

segue a viagem em debater inóspito 

selvagemagnostico 

Alexandre Andrei 
.  
Luiz Vaillant 

Odoya Yemanjá 
Salve Dionísio, 
ele não sabe brincar

No brasil veio brincar
O deus antigo do prazer
Ele muito a farrear
No carnaval ia morrer

Odoyá Yemanjá
Dionísio enlouqueceu
Salve ele minha mãe
Ele só veio pra brincar

Desde de os tempos mais primórdios
Dionísio ´tá aí, tá aí, tá aí
Muito belo e menino
Carinhoso e pueril
Veio pro Brasil

Na tiradentes ele viu
A cabocla toda bela
E num gesto infantil
Deu um beijo na sua boca
E esqueceu que era Deus

A essência do prazer
Veio aqui pra conhecer
Bem no Rio de Janeiro 
A alegria de viver

Lá na lapa se perdeu
O deus grego caminhando
Entre os homens foi caindo
No carnaval foi brincando

Tinha loira tinha preta
Tanta beleza nunca se viu
Alegria estampada 
No seu rosto varonil

Perdeu toda sua glória
Ficou sujo maltrapilho
Sua face já sangrava
Em frente ao Banco do Brasil

Yemanjá se compadeceu
E veio para lhe salvar
Lavou seu rosto com as lagrimas
Que derramou em seu pesar

E lhe disse filho meu
Tu hás de te levantar  

Bárbara é Iansã, Iansã é Barbara


Salve a Santa-Orixá dos Raios da Revolta e da Sabedoria
Altiva e Vencedora diante do troar dos canhões patriarcais
Saúdo a Deusa-Búfala dos Trovões ao despertar da paixão
Agradeço aos ventos que me abraçam com a sua benção
Eparrey Oya 

Jorge Magalha  

Indesejado

 

Ceder ao canto dos ventos contrários

Não é o que se espera

No dia lindo de sol.

Manhã para acordar, tarde e noite para amar

Sem ênfase na (pouca) oposição.

O dia segue a semana

E a semana segue às angústias duradouras

Quando a escolha é não aproveitar boa conexão

Enterrar intenções desejáveis e adoráveis paisagens

Tamanha falta de consideração.

Se falta fogo, respeito ou paixão

O lindo dia se queima com a neve

Frente fria dos que não sentem

Amor além das peles.

 

(Clécia Oliveira) 

Zine de Bárbara 22 

POESIA 

Girar
Ah que vento bom!
Ah que vento bom!
Que gira, gira
e faz o meu corpo girar.
As folhas secas, caídas no chão,
se levantam
e na frequência do vento,
se põem a bailar.
em sincronia e graça,
uma após a outra
e todas juntas
em movimento circular.
Ah que vento bom!
Ah que vento bom! 

Ana Neves 

 

 Ilustrações 

André Horta 

**escolhi essa imagem de xilogravura, mas conheci através de busca aleatória, resultou chegar a seu portifólio em blog - no endereço abaixo 

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