RAT-ZINE 22-B do A
RAT-ZINE 22
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Tem poema da Karla, do Zé Felipe e do Malta, falta buscar isso lá
. 2) Boteco Teco
De: Dário Omanguin FariasNos botecos da vida encontro a alegria
Percorro o balcão pelo chão de ladrilho.
Falo de botequins tipo "Antigo"...
Onde a cozinha, era só de boa comida.
E encontro costela assada com batata
Jiló recheado e fatiado de salaminho
Também, tremoços, chouriço e peixe frito.
Mas não é só disso que gosto no boteco
Uma boa música e conversa fiada
Um instrumental e o cantor de samba.
O garçom é peça importante com seu avental
Com ele, enxuga o suor da testa.
Também limpa a mesa e esfrega no copo.
Bom mesmo é a cerveja gelada
Cuja garrafa vem nevada
Na cozinha, a Negra mexe a panela
Logo, logo na vitrine tem moela
Também tem linguiça e bucho ensopado
Cozinheira é sempre o carro chefe do boteco
Sem seus segredos e dotes culinários
A comida insossa não me agrada
Então, percorro a sarjeta para outro bar
Feliz do portuga, dono do boteco
Que tem uma cozinheira que me agrada..
Ah! Também não pode faltar uma calçada
Boteco sem mesa na rua...
Esse também não é bom
Como beber uma gelada e não flertar
As moças transeuntes são boas de olhar
Entre um gole e outro e um piscar de olho.
A vaidosa sabe do nosso carinho
E desliza pela rua como estivesse a desfilar...
Esse é um cenário legal de um boteco
De dedo levantado...
Digo: - Garçom mais uma gelada!
Que bebo de bom agrado
Embora solitário, vejo a vida passar
Cheio de elementos para poetizar.
Depois da conta paga...
Saio para flanar.”
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3) Campo Grande, Cidadela do Caos
De: Tiago Malta
Os físicos comprovaram:
Que depois da lua vem o sol
Sempre o mesmo tédio
Sempre o mesmo prédio
Que guardam histórias e pessoas incríveis,
Que nem imaginam,
E chamam suas aventuras heroicas de segunda-feira.
Rio de Janeiro, 4 de outubro de 2002
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Ah que vento bom!
Ah que vento bom!
Que gira, gira
e faz o meu corpo girar.
As folhas secas, caídas no chão,
se levantam
e na frequência do vento,
se põem a bailar.
em sincronia e graça,
uma após a outra
e todas juntas
em movimento circular.
Ah que vento bom!
Ah que vento bom!
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Vanessa Oliveira
- resposta de rat-post em 20 de junho 22
nas ladeiras , nas ruas , nos becos , nas praias, nos morros , na liberdade que a palavra nos dá, na expressão do respeito ao próximo... na emoção da poesia . Na saudades calada , escrita na folha de um caderno em plena madrugada...
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GirarAh que vento bom!
Ah que vento bom!
Que gira, gira
e faz o meu corpo girar.
As folhas secas, caídas no chão,
se levantam
e na frequência do vento,
se põem a bailar.
em sincronia e graça,
uma após a outra
e todas juntas
em movimento circular.
Ah que vento bom!
Ah que vento bom!
Ana Neves
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OBS: tem os SEGUNDA pra soma
**ACHEI:
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Lys Silva 11 de dezembro de 2017 · Segunda-feira, nem chegou ao meio-dia e já não me resta nenhuma esperança na humanidade...
Lys Silva20 de novembro de 2017 · Segunda e meu único pensamento é, que eu preciso de 8 horas de sono por dia... e mais umas 10 por noite!!! :'(Lys Silva
17 de novembro de 2017 · Dias melhores virão! E tem até nome: sábados, domingos e feriados!" <3
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segunda, quarta, sexta
terça, quinta, dominho
e sábado
desconcertantes e certas
as semanas seguem
umas antes das outras
Marcelo Nietzsche
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XANDU
“quando segunda amanhece com cara de sábado, uma confusão se instala entre terça e quarta, depois é um domingo - de quinta - pra quem tem trabalho, que emenda com feriado, e o enforcado diz ‘feliz dia útil!’, é claro, se antecipou no ‘sextou!’
“
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Claudinho Dias
Pesquei algo agora
Mas, logo fui alçado pra fora
Foi o instante que fisguei
E, eu mesmo fui a isca
Me debati em vão
A vida tem mesmo razão
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Não há virtude na ordem estabelecida
O tempo agora pode ser adiantado
E se sua pressa não for justa
O bloqueia, faz que se esqueceu
E vive
O mundo infame
Das regras cagadas por deuses cinzas
Que se enfeitam com carne morta
E bebem o sangue podre
De cada noite mal dormida
Que nasce do mundo
Que aos poucos pega fogo
E torce para a chuva chegar logo
Rômulo Ferreira
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Aaa aaaa
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CONSCIÊNCIA NEGRA
Ter consciência é assistir juízes brancos julgarem políticos e empresários racistas e Corruptos e os absolverem. E ver esses mesmos juízes condenarem o negro por roubar um pacote de biscoito.
Ter consciência é saber que o Brasil tem a maioria de sua população constituída de negros e pardos.
Ter consciência que a jornada só está começando.
Ter consciência e saber que nas universidades já somos a maioria.
Mas temos que ter sabedoria em utilizar este aprender.
Ter consciência
É termos orgulho de nossa cor de nossa origem.
Ter consciência é não se vitimizar ,não servir como contingente para manobras oportunista e eleitoreira.
Ter consciência
É acreditar .
A luta é árdua para o reconhecimento,
Mas promissora, alumbramento .
Viva! José do patrocínio.
Viva! Os irmãos Rebouças.
Viva! Luiz Gama
Viva! Carlos Alberto de Oliveira ( Caô)
Viva! Abdias Nascimento
Viva! Zózimo Bulbul!
Viva! Valdir Onofre
Viva! Grande Otelo.
Viva! Cruz e Souza
Viva! Solano Trindade.
Viva! Léa Garcia
Viva! Nilton Santos.
Viva! Lélia Gonzalez
Viva! Ruth de Souza
Viva! Carolina de Jesus
Viva! João Candido.
Viva! Cruz e Souza.
Valeu...
Valeu !Zumbi dos Palmares.
Graças a Deus/ Oxalá
Chegamos lá !
Um futuro sonhado para posteridade
Onde prevalecerá a igualdade.
Um futuro Promissor para nossos descendentes.
Vidas negras importam e são vitoriosas!
Dalberto Gomes
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Aaa aaa
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Portões de Hades
Lugar tão conhecido
Terra quente depois do abismo.
Nada esperado, nada pedido.
Mas está lá, o lugar e o velho da guerra tão temido.
Eu conheço, não se iluda, não tenha pena pois; você também. Já não adianta reza nem amém.
Mar tranquilo nunca fez bom marinheiro, ditado antigo, sabido pelo mundo inteiro.
Impossível desconhecer esse terreno mas não fique muito tempo pois a loucura é parceira do riso. Você também conhece muito bem o perigo.
A saída é conhecida, não se iluda, você também conhece muito bem a ida...e a vinda.
Vivi RAC
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Aaa aaa
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autobiográfico I
repleta de movimento, a juventude deste homem.
seus dedos calejados pelo nylon e pelo aço de guitarras e violões.
as vezes o homem se confunde com o instrumento e as amizades do homem com as músicas do violão.
o canto calmo mas decidido, tenro e macio como um bom abraço é a sua égide diante dos dias maus.
o passarinho se ouve e então repete e varia o canto, brincando com os sons e tons, desafinando de propósito até que fortuitamente encontre uma outra nota.
há os passarinhos que dominam a linguagem humana e cantam em português vernáculo ou em um inglês abrasileirado, com ginga de caetano, suingue de gil e sofrer de belchiô.
o canto é antes de mais nada um ato político e, se deus é por nós, brilhará a estrela cor vermelha no ano de vinte e dois.
thomaz fernandes
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Aaa aaa
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Furacão
A sina permanece
Quase um fetiche
Adentrar no olho do furacão
A destruição é sedutora
Convidativa
Sorrir para relâmpagos
Como selfies em dias ébrios
Bolsões d'água agora são piscinas olímpicas
Com direito a trampolim
Em dias quentes de verão
Mas não pense que essa paixão seja platônica
O furacão também olha pra ti
Segue na velocidade do vento
Dita a velocidade do vento
Apressando os encontros
Tem poder, mas se sente só
É uma viagem sem volta
Quando o medo substitui o respeito
Telhas seguram firme na laje
E tremem
Toldos se encolhem e rasgam de medo
Só quem sofre que sabe
Alagamento sem escoamento
Mas vidrado no pensamento
De soltar o peso do corpo para voar em círculos
Encontrar uma vaca e beber do seu leite
Achar um carro e dormir no seu leito
Depois de ficar tonto de tanto rodopiar
Desvendar os mistérios de seu núcleo
Para criar um furacão particular
Dife
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Aaa aaa
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ALMÍSCAR – Alexandre Andrei
quando a música que ouves por dentro despedaça com trincho
em lugar do que devia estar quieto existe um caco
de modo que os dentes expelem palavras num guincho
que toca o papel manchando de opaco
revela em meneio de rabo a lógica que fica além do sensato
na descoberta do doce depois de roído o maltrato
tens o reverso do rato
quando caminhas no interior do pelo hirsuto
substantivo feito a qualidade espremida de um quisto
adjetivos mordendo porquanto o gentil esbarrar do demais deixa puto
os verbos são estes e isto
recusa desacordo divergência discrepância combate ao grato
ao enfiar o focinho mordendo a rósea barriga do acordo do fato
tens o controverso do rato
quando à prisão do armistício preferes o contrabando da lima
assim de tal forma que a luz é feita de escuro
os bilhetes deixados tem mais grito que rima
para acostumar as orelhas aos fonemas do impuro
rabiscar o plano de batalha ao exato
ao renunciar ao encanto em contrato
tens o universo do rato
quando ocorre descrever lindamente o perverso do ato
conversas com o rato
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Aaa aaa
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O Processo
Bom… bem disseram isso é labirinto, entendo que sim, o processo se viu se não viu ainda é o caminho, se o martelo descer e não for cela, a razão da mensagem se for pela vida diremos cultura, Nietzsche falou super-homem pensou-se o avesso, girar o disco da Xuxa ao contrário faz ucrânia dizer “eu te amo!”, wagner criou israel sem saber, foi um clássico, Tchaikovski assim, pesquisado no gluglou, ajuda a escrever email em russo fluente, mas não faz o bom eslavo dançar, já não fazem stravinki como no passado, nem abôio pra gado, cantiga de roda não gira, não anima mais a moçada, nem aqui e nem lá - e é muito essa a questão - nem tudo é música com eme maiusculo, as vezes é só eme e como muita eme que toca na rádio a gente dança dança dança e se não for sertanejo a tendência é descer e descer e vai descendo, descendo até o chão! Daí a gente chora, ri, chora, ri, tem pisadinha e tem brega, tem a sofrência de amor do tipo rasgado, e tem aquelas modas de viola, dá saudade, e dá fado, porque não é rap. O baile funk é sucesso porque toca na rádio ou porque incomoda os vizinhos? dou preferência ao Guerra Peixe mas não curto muito Vila Lobos, nem penso que esse ajude a subir, o astral, tá ligado? …tem um segredo de tostines nisso, é o que eu acho
Xandu
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Aaa aaa
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Trânsito
Sou uma estrada torta
Fina e cumprida
Me passa o gemido dos infinitos coletivos
Atrapalho o bocejo dos marginais passarinhos
Mas nesse dia tão bonito
Encontro um túnel no caminho
Parece longo, é escuro
Quantos vultos monturos
Ainda dá pra ver que tudo é duo
Tudo é átomo calcado em espaço
Tudo é vazio achado preenchido
Nada instala as minhas rotas
Cada carro corre com suas próprias rodas
Jorge Felipe Magalhães
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Aaa aaa
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Boulevard
Ruas, Boulevard
Concreto, Mar...
Quando o passante não passa
Passam ideias passadas que não passam
Dos pés à cabeça
Cada passo é uma passagem não passada
O próximo passo não vem sem dar passo
Mas quando o passante passa
Surge um novo compasso
Sem trapaça
Da cabeça aos pés
Nada o ultrapassa
O Concreto é o Mar
E as Ruas...
Boulevard.
(Clécia Oliveira)
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Aaa aaa
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Aah!
Posicionou-se estrategicamente
Afinal, era uma guerra!
Precisava ganhar!
Ao menos um beijo dele
Naquela noite
Piscou,
Sorriu,
Lançou olhares maliciosos.
Não funcionou.
Sentiu-se desprezada,
Humilhada até
Com a inércia dele.
Chorou e decidiu esquecê-lo.
Ela nunca soube
Que ele era míope.
Catiane D’Áura
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Aaa. Aa
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Olho da Rua
A igualdade exposta pra fora
Deflagra a nossa história
A praça, as luzes, os canteiros Dominemos os ventos e as árvores Nos calçadões, nas calçadas, entre os postes A utopia descarada e sem vergonha Sonha com a arte de ser todo mundo E não ser ninguém
De ser o aterro e a estrada
De ser esses e aqueles
De ser nós e eles
De ser uns e outros
Ser o povo
As casas, as sombras, os sustos
Nada pode nos roubar isto
Nem o mito da dona Ciência,
Da dona Violência ou do senhor Rebuliço
Pois o pai Sol e a mãe Lua
Nos querem sob seus olhos
Na pele do continente,
Na memória do país,
No coração da cidade,
No sexo do bairro,
No olho da rua.
Marcio Rufino
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